Tenho o costume de analisar dados. E neste espaço vamos fazer isso com frequência: olhar para os números para entender a política além do que aparece nas manchetes.
Todos os meses, a Justiça Eleitoral atualiza os dados do eleitorado brasileiro. A atualização divulgada após o fechamento do cadastro eleitoral para 2026 trouxe um dado que merece atenção.
Santa Catarina chegou a 5.729.914 eleitores aptos a votar nas eleições gerais do próximo ano.
Pode parecer apenas mais uma estatística. Mas ela ajuda a contar uma história importante sobre as transformações que o estado está vivendo.
O maior crescimento dos últimos 12 anos
Quando observamos apenas os anos de eleições gerais, percebemos uma tendência clara.
Em 2014, Santa Catarina tinha 4,86 milhões de eleitores.
Em 2018, o número passou para 5,07 milhões, crescimento de 4,3%.
Em 2022, o eleitorado chegou a 5,38 milhões, alta de 6,2%.
Agora, em 2026, o estado alcança 5,73 milhões de eleitores, registrando crescimento de 6,4%.
É o maior avanço percentual observado entre as últimas eleições gerais.
O dado confirma algo que já aparece em diversos indicadores econômicos e populacionais: Santa Catarina continua crescendo acima da média nacional e atraindo moradores de todas as regiões do país.
O número impressiona. Mas também surpreende
Quem acompanha o mercado imobiliário, o setor produtivo ou mesmo a realidade das cidades catarinenses percebe que a migração para o estado ganhou força nos últimos anos.
Por isso, muita gente esperava um crescimento ainda maior do eleitorado.
A explicação mais provável é simples: nem todo mundo que mora em Santa Catarina vota em Santa Catarina.
Milhares de pessoas já vivem, trabalham e pagam impostos aqui, mas continuam com o título eleitoral registrado em seus estados de origem.
Isso significa que a transformação demográfica do estado pode ser ainda maior do que aquela captada pelas estatísticas eleitorais.
Quem é o eleitor catarinense?
Os dados também ajudam a entender quem estará diante das urnas em 2026.
As mulheres representam 52% do eleitorado. Os homens correspondem a 48%.
Na escolaridade, o maior grupo é formado por eleitores com ensino médio completo, representando 27,5% do total.
Outro dado relevante é o avanço da formação educacional. Somados os eleitores com ensino superior completo e incompleto, eles já representam quase um quarto de todo o eleitorado catarinense.
Isso ajuda a entender por que temas ligados à gestão pública, qualidade dos serviços, mobilidade urbana, educação, inovação e desenvolvimento econômico ganham cada vez mais espaço no debate político estadual.
O que isso muda na eleição?
Essa é a pergunta mais importante.
Muitas análises se concentram apenas nas pesquisas eleitorais. Mas existe uma mudança que acontece antes das pesquisas: a mudança do próprio eleitorado.
Quando a composição da população muda, as prioridades também mudam.
Novos moradores trazem novas referências, novas experiências e novas demandas.
Isso não significa necessariamente uma mudança ideológica. Mas pode significar uma mudança de agenda.
Questões como infraestrutura, trânsito, moradia, crescimento urbano, qualificação profissional e geração de empregos tendem a ganhar cada vez mais relevância em um estado que continua recebendo milhares de novos moradores todos os anos.
Para candidatos e partidos, o desafio será compreender essas transformações antes que elas apareçam nas urnas.
O impacto real talvez ainda esteja por vir
Os números mostram que Santa Catarina continua crescendo.
Mas talvez a principal conclusão seja outra.
Se parte dos novos moradores ainda não transferiu seu título eleitoral, os efeitos políticos da migração podem estar apenas começando.
A grande pergunta para os próximos anos não é quantos eleitores o estado ganhou.
A pergunta é quem são esses novos eleitores.
De onde vieram?
O que procuram em Santa Catarina?
Quais problemas consideram mais importantes?
As respostas para essas perguntas podem ajudar a explicar não apenas a eleição de 2026, mas também o futuro político de Santa Catarina na próxima década.















