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Ônibus grátis existe? Ou estamos fingindo que alguém não paga a conta?

Novo marco legal do transporte reacende um debate que políticos evitam fazer: quem vai bancar as promessas?

Ônibus grátis existe? Ou estamos fingindo que alguém não paga a conta?
Foto: Reprodução
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Novo marco legal do transporte reacende um debate que políticos evitam fazer: quem vai bancar as promessas?

O presidente Lula sancionou nesta semana o novo Marco Legal do Transporte Público, uma lei que busca modernizar o setor, criar novas formas de financiamento e reduzir a dependência exclusiva da tarifa paga pelo passageiro. O objetivo é melhorar a qualidade do serviço e tornar o sistema mais sustentável no longo prazo.

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Até aí, tudo certo.

O problema começa quando o debate sobre transporte público deixa de ser uma discussão séria sobre financiamento e vira uma competição de promessas eleitorais.

Nos últimos anos, a tarifa zero virou moda em diversas cidades brasileiras. A proposta é sedutora. Quem não gostaria de entrar no ônibus sem pagar nada?

Mas existe uma pergunta que quase ninguém faz:

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Se ninguém paga na catraca, quem paga a conta?

A resposta é simples: o contribuinte.

O ônibus continua consumindo combustível. O motorista continua recebendo salário. A manutenção continua acontecendo. A garagem continua funcionando. Nada disso desaparece porque a passagem ficou gratuita.

O custo apenas muda de lugar.

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E é justamente aí que a realidade começa a aparecer.

Levantamentos recentes mostram que várias cidades brasileiras já recuaram da tarifa zero. Municípios como Monte Mor, Paulínia e Porto Real abandonaram ou reduziram programas de gratuidade após dificuldades para sustentar os custos permanentemente.

Isso não significa que transporte público deva ser abandonado. Muito pelo contrário.

Transporte coletivo é essencial para o funcionamento das cidades. O próprio novo marco legal reconhece isso e cria mecanismos para ampliar fontes de financiamento e dar mais estabilidade ao sistema.

Mas reconhecer a importância do transporte não significa fingir que ele é gratuito.

Santa Catarina precisa prestar atenção nesse debate.

Muitas vezes a discussão pública fica restrita à pergunta mais fácil: “Quem é contra ônibus grátis?”

Mas a pergunta correta é outra:

Quem vai pagar essa conta daqui a cinco anos?

E daqui a dez?

O que acontece quando a arrecadação cair?

O que acontece quando o município precisar escolher entre aumentar o subsídio do transporte ou investir em saúde, educação e infraestrutura?

Essas são perguntas menos populares. Mas são as perguntas que definem se uma política pública sobrevive ou vira apenas um slogan de campanha.

O Brasil precisa de transporte público melhor.

Mais eficiente.

Mais confortável.

Mais acessível.

Mas também precisa de gestores que tenham coragem de falar a verdade.

Nada é gratuito.

Tudo tem custo.

E toda promessa séria precisa começar pela mesma pergunta:

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