Uma jovem afirmou à polícia que foi espancada pela primeira-dama de Forquilhinha, no Sul de Santa Catarina, depois de ser flagrada dentro de um motel com o prefeito da cidade, José Cláudio Gonçalves, o Neguinho (PSD). A versão consta de um aditamento ao boletim de ocorrência: segundo o documento, ela havia registrado inicialmente apenas um roubo e voltou à delegacia para “relatar a verdade dos fatos”, afirmando ter omitido detalhes no primeiro registro por causa da vergonha que sentiu naquele momento.
Segundo a versão apresentada, ela estava em uma das suítes do estabelecimento, na companhia do prefeito, quando a primeira-dama, Cleusa Cavassini Gonçalves, supostamente teria chegado ao local acompanhada de dois policiais militares e de um motorista. Conforme o documento, a jovem e o prefeito estariam nus na cama no momento, e ela teria sido segurada pelos dois policiais para que fosse agredida.
A jovem relata ainda que estaria sendo ameaçada com a publicação de um vídeo gravado durante o flagrante. De acordo com o aditamento, os policiais supostamente teriam solicitado a quantia de R$ 300 mil para que o prefeito efetuasse o pagamento, sob pena de o material ser divulgado. Ela também afirma que, após as agressões, a primeira-dama teria subtraído R$ 5 mil de dentro de seu veículo.
A reportagem não teve acesso ao vídeo mencionado e as alegações ainda não foram confirmadas oficialmente. A polícia apura as circunstâncias do caso, e até o momento não havia confirmação sobre a abertura formal de investigação contra os citados.
A repercussão pública
Antes da vinda à tona do aditamento, a primeira-dama e secretária de Saúde de Forquilhinha, Cleusa Cavassini, publicou um relato nas redes sociais em que afirma ser alvo de perseguições, intimidações e violência de gênero desde que assumiu cargos na administração municipal. “Passei a ser alvo de ataques constantes, perseguições e violência de gênero”, escreveu.
Na ocasião daquela denúncia, o prefeito Neguinho saiu em defesa da esposa nas redes sociais. “Como marido, homem e prefeito, não poderia deixar de manifestar meu apoio à Cléu diante de tudo o que vem enfrentando”, publicou. Na mesma mensagem, afirmou que “nenhuma mulher deve passar por intimidações, perseguições ou violência, seja física, psicológica ou moral”, e classificou o ato de denunciar como “um ato de coragem”. Aquela manifestação, porém, se referia ao episódio de perseguição relatado pela primeira-dama, e não ao caso registrado no motel.
O que diz o prefeito
Em uma nota pessoal à imprensa divulgada nas redes sociais, o prefeito Neguinho se manifestou sobre o episódio sem entrar no mérito das acusações. No texto, admite enfrentar “uma situação de caráter estritamente pessoal e familiar” e pede que o assunto seja tratado com sensibilidade e respeito. “Tenho ciência de que o assunto tem gerado comentários, versões e especulações”, diz um trecho. O prefeito afirma ainda que, por respeito aos envolvidos e à família, não pretende se manifestar sobre questões da vida pessoal naquele momento, e que faria uma manifestação pública “no momento oportuno, caso entenda necessário”.
Na mesma nota, o prefeito afirma que segue cumprindo a agenda institucional e que estaria em Gramado (RS), participando de uma agenda de trabalho com empresários de São Paulo, em torno de um projeto que, segundo ele, geraria emprego e renda para a cidade, descrito como um parque temático “de porte único entre o Beto Carreiro e os da Serra Gaúcha”.
Entenda o histórico
Não é a primeira vez que a gestão de Neguinho é alvo de questionamentos. Em outubro de 2024, o prefeito chegou a ser afastado do cargo durante uma fase da Operação Maktub, da Polícia Civil, que apurava indícios de irregularidades em licitações no município. No início de 2025, a nomeação da própria primeira-dama para uma secretaria municipal foi questionada na Justiça por opositores, que alegavam falta de capacidade técnica, mas a Justiça considerou a nomeação legal. À época, o prefeito classificou as ações como perseguição política.
Até a última atualização, nenhum dos citados no boletim de ocorrência havia se manifestado especificamente sobre as acusações de agressão e de cobrança em dinheiro. O caso segue sob apuração da polícia.















