A corda chegou ao fim. Diante da insatisfação com o atendimento no Hospital de Tijucas e do aumento das reclamações da população, o prefeito Maickon Sgrott (PL) convocou a direção do IGAPS, instituto que comprou e administra a unidade, para uma reunião institucional no Gabinete do Prefeito. O encontro está marcado para o dia 30 de junho, no período da tarde, e terá a presença dos vereadores municipais e da Secretária Municipal de Saúde.
A convocação tem data, hora e pauta definidas, e o teor da conversa não é de cortesia. Estão na mesa o aumento expressivo das reclamações sobre os atendimentos, a falta de estrutura para o acolhimento dos pacientes na recepção e no setor de emergência, a necessidade de aprimorar a comunicação e as orientações sobre os critérios da classificação de risco, a triagem, a situação da obra de ampliação da recepção e da emergência, o andamento das obras para a implantação da Unidade de Terapia Intensiva, a UTI, e as perspectivas para a reabertura da maternidade.
São exatamente os três principais compromissos que o prefeito diz aguardar o IGAPS cumprir: a volta da maternidade, fechada desde 2018, a abertura dos leitos de UTI, que a cidade nunca teve, e a ampliação da recepção e da emergência. E é aí que mora o recado mais duro que a relação entre Prefeitura e hospital já viu.
Caso o IGAPS não cumpra o que foi firmado, Sgrott estuda romper o convênio de R$ 550 mil por mês que a Prefeitura repassa ao hospital e fechar o serviço de emergência da unidade, concentrando todo o atendimento na própria rede municipal de saúde.
“Nem que tenha que contratar dez médicos”, afirmou o prefeito ao Jornal Razão.
Quem acompanha a gestão sabe que o ultimato não combina com o estilo de Maickon Sgrott. O prefeito é conhecido por “dar a corda”, por esperar para ver se as coisas serão efetivamente feitas da forma correta, como se espera, antes de bater o pé. Mas a demora no atendimento, principalmente na recepção, somada à enxurrada de queixas que chega todos os dias, esgotou essa paciência.
“A cobra vai fumar”, garantiu o prefeito ao Jornal Razão.
A insatisfação tem um foco claro: o acolhimento de quem procura o hospital. A própria pauta da reunião aponta a necessidade de melhorar a comunicação e as orientações dadas aos pacientes sobre a classificação de risco, justamente a etapa que mais gera revolta de quem espera horas sem entender a ordem do atendimento. Não por acaso, é essa a queixa que mais se repete nos relatos de moradores: longas esperas, pacientes com dor sem resposta e a sensação de descaso na porta de entrada.
Esse retrato, aliás, já havia sido exposto pelo Jornal Razão. No último dia 6 de junho, a coluna Lenha na Fogueira mostrou como Tijucas construiu uma certeza silenciosa de evitar o próprio hospital, com moradores orientando uns aos outros, nas redes sociais, a buscar atendimento em Porto Belo, Itapema ou Florianópolis. Onze dias depois, a cobrança saiu dos comentários e chegou ao Gabinete, agora com prazo e consequência anunciada.
A Prefeitura faz questão de registrar que reconhece a importância dos serviços prestados pelo hospital à comunidade e que aposta no diálogo permanente entre as instituições como caminho para construir soluções conjuntas. Mas o diálogo, dessa vez, vem acompanhado de um ultimato: ou o IGAPS entrega a maternidade, a UTI e um atendimento à altura, ou o município assume a emergência por conta própria.
O IGAPS comprou o Hospital São José da Associação Congregação de Santa Catarina por mais de R$ 20 milhões e já administrava a unidade desde 2022. A reunião do dia 30 será o teste de quanto desse investimento vai se transformar em atendimento na ponta. O Jornal Razão acompanhará o desfecho do encontro.















