O bombeiro comunitário João Paulo Floriani, de Itapema, segue internado em estado gravíssimo na UTI do Hospital Nereu Ramos, em Florianópolis, após sofrer complicações causadas por uma infecção grave. A origem do problema foi uma picada de aranha que desencadeou uma sequência de eventos no organismo, levando a uma infecção generalizada.
Apesar de trabalhar como voluntário desde 2016 e estar acostumado a situações de emergência, João Paulo enfrenta agora um desafio que pode, na verdade, acontecer com qualquer pessoa.
O que aconteceu
O primeiro acidente aconteceu em março, quando João Paulo levou uma picada no pé. O ferimento cicatrizou de forma rápida, sem grandes sinais de gravidade.
Cerca de um mês depois, ele sofreu uma segunda picada, desta vez na mão, enquanto fazia a limpeza do quintal. Nesse caso, o local desenvolveu necrose, inflamação intensa e acúmulo de pus, exigindo um procedimento de drenagem.
De acordo com os médicos, o veneno da aranha, combinado com uma bactéria que já estava no organismo, desencadeou uma infecção severa. A bactéria se espalhou pela corrente sanguínea, comprometendo os pulmões, causando necrose, além de gerar edema cerebral, febre alta e insuficiência renal.
O quadro é extremamente delicado, e o maior desafio da equipe médica no momento é conter o avanço das complicações pulmonares.

O risco das aranhas no Brasil — e em Santa Catarina
No Brasil, três gêneros de aranhas são considerados de importância médica por possuírem veneno capaz de causar acidentes em humanos: aranha armadeira (Phoneutria), aranha marrom (Loxosceles) e viúva-negra (Latrodectus).
Porém, na região Sul, incluindo Santa Catarina, os registros envolvem principalmente as duas primeiras: armadeira e marrom. A viúva-negra é mais comum na região Nordeste do país.
Aranha marrom: discreta e perigosa
A suspeita é de que o bombeiro tenha sido picado por uma aranha marrom, uma espécie de comportamento não agressivo, mas que oferece riscos consideráveis.
Essas aranhas costumam medir até 1 centímetro no corpo (3 cm incluindo as pernas) e têm coloração marrom, variando entre tons claros e escuros. Elas não fazem teias para capturar presas, mas sim pequenos esconderijos em locais como fendas, atrás de móveis, dentro de sapatos, luvas, caixas ou materiais armazenados.
Por serem muito discretas, os acidentes costumam ocorrer quando o animal é pressionado contra o corpo, muitas vezes sem que a vítima perceba. Isso explica por que as picadas, geralmente, não doem no momento. Os sintomas surgem horas depois, com lesões que podem evoluir para necrose, além de risco de infecções secundárias — como ocorreu com João Paulo.
Aranha armadeira: agressiva, mas rara em acidentes graves
Outra espécie presente em Santa Catarina é a aranha armadeira, popularmente conhecida por adotar uma posição defensiva característica, levantando as patas dianteiras quando se sente ameaçada.
Essa aranha é errante, não faz teias e costuma ser encontrada em bananeiras ou ocasionalmente dentro de residências, especialmente em áreas com vegetação.
Apesar de ser considerada mais agressiva, na maioria dos casos (95%), os sintomas são locais, como dor intensa, vermelhidão, inchaço e, eventualmente, sinais como sudorese, taquicardia e vômitos. As complicações mais graves costumam afetar crianças e idosos.
Pode acontecer com qualquer pessoa
Casos como o de João Paulo não estão restritos a profissionais do resgate ou a quem vive em áreas rurais. Aranhas como a marrom se adaptam facilmente ao ambiente urbano e doméstico.
Portanto, qualquer pessoa pode sofrer um acidente desse tipo, seja dentro de casa, no jardim, no trabalho ou em atividades comuns do dia a dia.

Cuidados simples, mas fundamentais:
- Revise sempre roupas, sapatos, luvas e toalhas antes de usar.
- Evite acúmulo de entulhos, caixas e materiais em desuso.
- Mantenha ambientes limpos, especialmente rodapés, frestas, cantos de móveis e atrás de objetos encostados na parede.
- Afaste móveis e camas das paredes.
- Instale telas em janelas, ralos e dutos de ventilação.
- Ao perceber feridas que incham, escurecem, apresentam pus ou necrose, busque imediatamente atendimento médico.
Corrente de solidariedade
Diante da gravidade do quadro, a família de João Paulo organizou uma campanha para ajudar nas despesas com o tratamento.
As doações podem ser feitas via Pix (47) 98895-5136, em nome de Márcia de Miranda (esposa), pela instituição Mercado Pago.
“João sempre esteve disponível para ajudar quem precisasse. Agora, é ele quem precisa de apoio”, resume uma amiga da família.














