Menos de 24 horas depois de dois homens serem mortos a tiros em Tubarão, no Sul de Santa Catarina, a Polícia Civil prendeu o homem apontado como autor do duplo homicídio. Matheus Mendes Tomé foi capturado na tarde desta sexta-feira (19), no balneário Figueirinha, em Jaguaruna, enquanto caminhava por uma via pública.
Conforme a investigação, ao receber a voz de prisão, Matheus quebrou o próprio celular na hora. Ele foi conduzido à Delegacia de Investigação Criminal (DIC) de Tubarão. Em diligências paralelas, outra equipe localizou a arma de fogo usada no crime.
Entenda o caso
O caso teve início na madrugada da mesma sexta-feira, por volta das 4h50, no bairro Vila Esperança. Dois homens foram executados a tiros em pontos diferentes do bairro, a cerca de 500 metros um do outro e com poucos minutos de diferença. Quando o Corpo de Bombeiros chegou, as duas vítimas já estavam sem vida.
A primeira vítima foi Ivan Fiel da Silva, de 44 anos, conhecido como Brasão. Ex-jogador de futebol, ele foi atingido por dois disparos, um no tórax e outro no antebraço, nos fundos de um estabelecimento comercial. Minutos depois, em uma conveniência próxima, João Roberto Pereira de Oliveira, de 20 anos, proprietário do local, foi alvejado no ombro e na cabeça e morreu ali mesmo.
Os primeiros detalhes do crime foram revelados ainda na manhã desta sexta. Relembre a primeira matéria sobre o duplo homicídio.
Quem era Brasão
Brasão tinha história no futebol. Começou a carreira no Flamengo, em 2002, e construiu o caminho com passagens por Tubarão, Santa Cruz, Atlético Paranaense e Atlético Goianiense. No clube pernambucano, virou artilheiro e ídolo, conquistando destaque nacional. Depois de pendurar as chuteiras, ainda trabalhou como apresentador na UniTV e comentarista esportivo. Deixa duas filhas.
Horas antes de morrer, Brasão ainda publicou registros de um culto nas redes sociais: “Dia de agradecer o senhor. Deus é bom o tempo todo”, escreveu. Em outra postagem sobre o trabalho, dizia: “Aqui é minha casa, eu cuido com carinho e ponho a mão na massa.”
A investigação
A Polícia Civil, por meio da DIC, trata o caso como homicídios dolosos e investigou desde o início a hipótese de execução em série pelo mesmo autor, linha que se confirmou com a prisão. Segundo a Polícia Militar, o homem preso tem registros por roubo, tráfico de drogas, ameaça, perseguição, dano, lesão corporal e descumprimento de medida protetiva de urgência. A motivação do crime ainda não foi divulgada.
A Polícia Científica esteve nos dois locais, realizando perícia e coleta de vestígios para esclarecer a dinâmica dos assassinatos.
Família pede respeito
Nas redes sociais, a irmã de João Roberto lamentou a morte do jovem e pediu respeito diante dos boatos que passaram a circular. Ela descreveu o irmão como um rapaz de coração puro. “Hoje meu coração está em pedaços. A internet virou um lugar onde muitos falam sem saber da verdade. Espalham boatos, julgamentos e versões que só existem na própria imaginação”, escreveu.
Com o autor preso e a arma apreendida, a investigação segue para esclarecer a motivação e a dinâmica completa dos dois homicídios. O suspeito permanece à disposição da Justiça.















