O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse na noite desta quinta-feira (1º), em entrevista ao Flow Podcast, que telefonou para os presidentes da China, Xi Jinping, da Rússia, Vladimir Putin, e dos Estados Unidos, Donald Trump, para cobrar o fim das guerras. “Eles fazem parte do Conselho de Segurança da ONU e eles não tão fazendo porra nenhuma pra acabar com as guerras”, afirmou. A fala foi a três dias do primeiro turno, em que Lula disputa a reeleição.
O presidente chegou ao assunto ao falar do “grau de respeitabilidade que o Brasil tem no mundo hoje”. “Eu sou até um pouco desaforado. Há quinze dias atrás eu liguei, falei uma hora e meia com Xi Jinping. Depois liguei pro Putin, mais uma hora e meia. Depois mais uma hora e meia com o Trump, sabe pra quê?”, disse ao apresentador Igor Coelho. Segundo Lula, foi para dizer aos três que eles estavam errados.
Igor comentou em seguida ter visto o discurso do presidente na ONU e disse que a organização está “meio desmoralizada”, “fraca”. Lula concordou: “Fraca”. China, Rússia e Estados Unidos são três dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança, ao lado de França e Reino Unido, e têm poder de veto sobre as decisões do órgão.
Quando foram as ligações
As três conversas foram noticiadas entre o fim de julho e agosto, e não há quinze dias. A primeira foi com Xi Jinping, no domingo, 26 de julho, e durou mais de uma hora, de acordo com a Agência Brasil e a CNN Brasil. Os dois trataram do acordo entre Mercosul e China e, segundo o relato do governo brasileiro reproduzido pela agência, criticaram a incapacidade do Conselho de Segurança de responder aos conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio.
Com Putin, o telefonema foi na terça-feira, 4 de agosto. O Kremlin informou que a iniciativa partiu do governo brasileiro e que o presidente russo agradeceu os esforços do Brasil por uma solução política e diplomática para a guerra na Ucrânia, conforme o jornal O Tempo e o InfoMoney. As duas reportagens não informam a duração da conversa.
No dia seguinte, em entrevista a podcasts, Lula contou que havia ligado para os dois e que faltava Trump. “São cinco pessoas. Se reúnam, tomem um café, um whisky, um vinho, qualquer coisa, para decidir o que vai fazer com o mundo”, disse, segundo texto da Agência Estado publicado pelo Diário do Grande ABC.
A ligação para Trump foi na manhã de sexta-feira, 21 de agosto. A conversa durou uma hora e vinte minutos e tratou também das tarifas americanas sobre produtos brasileiros e do combate ao crime organizado, segundo a Rede 98. Em nota reproduzida pela CNN Brasil, o Palácio do Planalto informou que Lula “lamentou a inoperância do Conselho de Segurança da ONU e, a exemplo do que sugerira aos presidentes Xi Jinping e Putin, propôs a convocação de uma reunião extraordinária do órgão para encontrar saídas diplomáticas para as crises atuais”.
O convite para “tomar um trago”
Na noite daquele mesmo dia, em comício em Belo Horizonte, Lula falou em cerca de uma hora e meia de conversa com Trump e revelou outra sugestão: que o americano aproveitasse a Assembleia Geral da ONU, em setembro, para receber Xi e Putin em sua casa na Flórida. “Convida os caras pra tua casa, toma um trago”, contou, de acordo com a Gazeta do Povo e a CNN Brasil. “Eu estou de saco cheio dessas guerras”, disse ainda, segundo o jornal português Observador.
Ainda segundo o Observador, a nota do Planalto sobre o telefonema não mencionou a sugestão do encontro na Flórida. Nenhuma das reportagens consultadas registra resposta pública de Trump, Putin ou Xi à proposta, e o Jornal Razão não localizou notícia de nova rodada de telefonemas de Lula com os três em setembro.
O discurso na ONU
O discurso citado por Igor foi feito em 22 de setembro, na abertura do debate da Assembleia Geral, em Nova York. “Somos todos reféns do imobilismo de um Conselho de Segurança que não cumpre o seu papel”, disse Lula na ocasião, conforme a ONU News, serviço de notícias das Nações Unidas. O presidente afirmou também que a ONU “está falhando em uma das suas missões mais elevadas: a de livrar a humanidade do flagelo da guerra” e que a credibilidade da organização “nunca esteve tão baixa”, trecho também destacado pelo Brasil de Fato.
Trump em outros momentos da entrevista
O presidente americano apareceu em outros trechos da conversa no Flow. Lula contou o que diz ter respondido quando Trump saiu em defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro: “Trump, ó, se você fosse brasileiro e tivesse acontecido o que aconteceu nos Estados Unidos, você também teria sido preso”. Em outro momento, ao relatar que o americano costuma citar o poderio militar do país, disse ter rebatido: “Ô Trump, eu não quero guerra com você, porra. Eu quero derrotar você na narrativa”.
Os diálogos com Xi, Putin e Trump foram narrados por Lula, e o teor exato do que ele disse aos três nas ligações não consta das notas oficiais. O primeiro turno é no domingo (4).
Fontes: entrevista de Lula ao Flow Podcast, Agência Brasil, CNN Brasil, O Tempo, InfoMoney, Agência Estado, no Diário do Grande ABC, Rede 98, Gazeta do Povo, Observador, ONU News e Brasil de Fato.
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