O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato a presidente, acusou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de usar o Judiciário para barrar o debate da TV Globo entre os candidatos ao Planalto, marcado para a noite desta quinta-feira (1º). A emissora cancelou o programa pouco antes do início, a três dias do primeiro turno, que será no domingo (4).
A acusação foi feita em uma transmissão ao vivo no canal do senador no YouTube, às 21h40. “Então o Lula não só não vai no debate, como ele usa os seus amigos no Judiciário pra impor a censura ao debate da Rede Globo”, disse Flávio.
No início da live, ele contou que estava com a equipe pronto para ir aos estúdios da emissora. “Decisões subsequentes seguidas, a poucos minutos do debate, instaurando oficialmente a censura nessas eleições”, afirmou.
O que a Justiça decidiu
Lula já tinha avisado que não iria ao debate e deu entrevista a um podcast, o Flow, no mesmo horário. As regras do programa previam um púlpito vazio com a placa do candidato ausente e perguntas dirigidas a ele. Segundo a nota da Globo, essas regras foram assinadas pelos partidos, inclusive o PT.
A pedido do PT, a ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), deu uma liminar que proibiu o púlpito vazio e as perguntas ao candidato ausente. Na decisão, ela afirma que a regra criaria desequilíbrio entre os candidatos, porque permitiria falas sobre o ausente “sem possibilidade de resposta”. A ministra foi indicada ao tribunal por Lula, segundo a coluna de Igor Gadelha, no Metrópoles.
No mesmo dia, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), mandou a emissora incluir no debate o candidato Renan Santos (Missão), a pedido do Solidariedade.
Depois das decisões, Flávio anunciou que não participaria do programa e falou em “censura”. Sem Lula e sem o senador, a Globo cancelou o debate, como registraram a Gazeta do Povo e o Correio Braziliense.
Em nota, a emissora disse que decisões judiciais tomadas momentos antes do debate “causam insegurança jurídica” e representam “interferência indevida na liberdade que os veículos de imprensa têm de organizar os debates eleitorais”.
O que Flávio disse na live
Na transmissão, o senador criticou a liminar do TSE. Ele citou “a proibição de se mostrar o púlpito do candidato ausente” e a ordem para que os candidatos presentes não fizessem perguntas a Lula. “A censura no seu mais alto grau”, disse.
Flávio afirmou ainda que “são interferências em vários estados do Brasil” e completou: “Não coincidentemente, todos que são aliados do Lula”. No trecho, ele não detalhou de que forma o presidente teria atuado nas decisões. O pedido que levou à liminar do TSE foi feito pelo PT, e o que resultou na decisão do STF, pelo Solidariedade.
O senador disse que defende “a liberdade de imprensa” e “a liberdade de você escolher o seu candidato sem interferência do Judiciário”. Ele anunciou que, no lugar do debate, chamaria convidados para conversar durante a live.
Até a publicação desta matéria, a campanha de Lula não havia se manifestado sobre a fala do senador.
Fontes: coluna de Igor Gadelha, no Metrópoles, Gazeta do Povo e Correio Braziliense.
Leia também: URGENTE: Globo cancela debate presidencial após decisões do TSE e STF
Leia também: Flávio acompanha Lula e desiste do debate da Globo depois que TSE barrou púlpito vazio do petista
Leia também: “Você faz acordo com bandido”: Flávio Bolsonaro diz que Lula será expulso no domingo
© Jornal Razão. Reprodução permitida com crédito e link para a matéria original: jornalrazao.com/politica/flavio-bolsonaro-lula-judiciario-debate-globo-censura-eleicoes



















