O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, exibiu na noite desta quinta-feira (1º), em transmissão ao vivo, um vídeo em que Estela Aranha, hoje ministra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), pede voto em Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Horas antes, a ministra tinha proibido a TV Globo de manter o púlpito vazio com o nome do presidente no debate presidencial, que acabou cancelado.
Quem levou o vídeo à live foi o deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO), candidato ao Senado por Goiás, que participava por chamada. Ele contou que a gravação estava circulando nas redes enquanto a transmissão acontecia. “Em 2022, a Estela Aranha gravou um vídeo pedindo voto pro Lula”, afirmou. Gayer mandou o arquivo para o celular de Flávio e pediu: “Coloca aí, deixa o povo ouvir”.
Flávio aproximou o celular do microfone e o áudio foi ao ar. “Voto treze, porque como advogados, nós não temos outra opção que não seja o Lula para a gente estancar o aumento do autoritarismo, pra gente defender o Estado democrático de direito”, diz a voz da gravação. Em seguida, ela completa: “Então os advogados devem votar em Lula, inclusive pra salvar o próprio sistema de direito”.
Quando o áudio terminou, Flávio perguntou: “Essa é a Estela Aranha, é isso? Defensora da democracia”. Gayer respondeu ligando a gravação à decisão do dia: “Essa Estela Aranha que tomou a decisão que seria proibido de mostrar o púlpito vazio do Lula e que seria proibido fazer perguntas pro Lula”.
De quando é o vídeo
A gravação é de outubro de 2022, durante o segundo turno da eleição presidencial. Estela Aranha aparece entre profissionais que gravaram mensagens pedindo voto em Lula depois de um encontro em São Paulo. Naquele ano, ela era advogada e não ocupava cargo no TSE.
Até a publicação desta matéria, o Jornal Razão não localizou manifestação da ministra nem do TSE sobre o vídeo.
Quem é Estela Aranha
Estela Aranha foi indicada ao TSE por Lula e tomou posse em agosto de 2025, para um mandato de dois anos. Antes de chegar ao tribunal, ela foi secretária de Direitos Digitais do Ministério da Justiça, na gestão de Flávio Dino, e assessora especial da Presidência da República.
No tribunal, a ministra atua em ações com influência direta na disputa à Presidência. Ela também faz parte do Prerrogativas, grupo que reúne advogados de esquerda e ligados ao PT.
O que ela decidiu sobre o debate
Nesta quinta-feira (1º), a pedido do PT, a ministra proibiu a Globo de manter o púlpito vazio com o nome de Lula e vetou perguntas dirigidas ao candidato ausente. O fundamento foi o de que a regra criaria desequilíbrio entre os participantes, com falas sobre o ausente “sem possibilidade de resposta”.
Lula já tinha avisado que não iria ao debate e deu entrevista a um podcast no mesmo horário. No mesmo dia, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), mandou a emissora incluir o candidato Renan Santos (Missão).
Depois das duas decisões, Flávio anunciou que não participaria do programa, e a Globo cancelou o debate. A emissora citou “insegurança jurídica” e “interferência indevida”. Foi depois do cancelamento que Flávio abriu a live no canal TV Celular, no YouTube, em que o vídeo da ministra foi exibido.
Fotos: Reprodução/TV Celular (YouTube) e Alejandro Zambrana/Secom/TSE.
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