Gleisi Hoffmann (PT), candidata ao Senado pelo Paraná, chegou ao debate da Band, em Curitiba, avisando que não queria saber de agressividade. Disse isso com um coro de “Lula ladrão, seu lugar é na prisão” ao fundo e encerrou a mesma entrevista, minutos depois, com um “cachorro que late não morde”. A cena é da noite de 9 de setembro e foi registrada pelo portal XV Curitiba, em vídeo publicado nas redes sociais.
A ex-ministra e deputada federal falava com jornalistas pouco antes do programa, marcado para as 22h45, enquanto um grupo gritava contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. As imagens do XV Curitiba mostram, do lado de fora, atrás de uma grade e debaixo de chuva, pessoas com bandeiras da campanha de Filipe Barros (PL), um dos adversários dela na disputa.
“O que eu não quero é entrar nisso daí, em que há agressividade e alguns candidatos acham que única e exclusivamente estão aqui pra acabar com o Lula e com o PT. Nós estamos aqui pra discutir o Paraná”, afirmou Gleisi. E completou: “Nós queremos fazer o debate na política e não o debate da agressividade e da desconstrução”.
A disposição pacífica veio com ressalva. Perguntada sobre o peso do debate numa disputa apertada, a candidata respondeu: “Eu vim pra discutir propostas, mas também não vou levar desaforo pra casa”. E avisou que, se os adversários partissem para acusações, “eles vão ter que explicar, eles não têm moral pra fazer isso”.
Um dos repórteres observou que a movimentação não tinha acontecido enquanto os outros candidatos davam entrevista e perguntou se era mais fácil atacar uma mulher. “Pra eles fica mais fácil atacar do que mostrar proposta. Como eles não têm o que propor, eles ficam gritando assim”, disse a petista.
Foi aí que a candidata que não queria agressividade resolveu lembrar o placar. “Nós já vencemos essas pessoas no Judiciário e vencemos na urna. O Lula subiu três vezes a rampa do Palácio do Planalto. O presidente deles foi uma vez só e já saiu, porque não tinha capacidade pra governar o Brasil”, afirmou. E fechou a entrevista: “Então eu fico bem tranquila. Cachorro que late não morde”.
O que ela prometeu
Entre uma resposta e outra, Gleisi falou do que pretende levar ao Senado. Defendeu a PEC da Segurança e o fim da escala 6×1, citou parcerias do governo federal com o Paraná mesmo sendo oposição ao governador Ratinho Junior (PSD) e lembrou que foi “a primeira e única senadora eleita pelo Paraná”.
Sobre a pressão por impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal, disse que não teria problema em julgar: “Se tiver ministro do Supremo ou de Corte Superior envolvida com delito, com crime, vai ter que ser julgado”, desde que “dentro do devido processo legal”.
E o debate sem agressividade?
O programa começou em seguida e não foi exatamente uma roda de conversa sobre o Paraná. Segundo a Band, em reportagem sobre o confronto, Gleisi e Deltan Dallagnol (Novo) trocaram acusações logo nos primeiros minutos. Ele perguntou por que ela preferiu “proteger a liberdade de um bandido em vez de proteger as nossas paranaenses”. Ela devolveu: “Você burlou a Lei da Ficha Limpa para poder sair do Ministério Público e se candidatar. Foi cassado inclusive por isso”.
A noite terminou com 25 pedidos de direito de resposta, dos quais oito foram concedidos, de acordo com a BandNews FM Curitiba, em balanço publicado no dia seguinte. Além de Gleisi, Deltan e Filipe Barros, participaram Alexandre Curi (Republicanos), Cristina Graeml (PSD) e Dr. Rosinha (PT).
O que veio depois
A briga saiu do estúdio. Em 17 de setembro, Gleisi acionou o Ministério Público Eleitoral contra Deltan, Filipe Barros e Jeffrey Chiquini (Novo), apontando violência política contra a mulher em publicações feitas entre março e setembro. Dois dias depois, o Tribunal Superior Eleitoral suspendeu a campanha de Deltan, a pedido da coligação do PT, que contesta a elegibilidade dele. O plenário manteve a suspensão em 21 de setembro, por 5 votos a 2, sem derrubar o registro: o nome do ex-procurador seguiu na urna.
Os paranaenses escolhem dois senadores neste domingo (4), no primeiro turno das eleições.
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