O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, desistiu de participar do debate da TV Globo marcado para as 21h30 desta quinta-feira (1º), o último encontro entre presidenciáveis antes do primeiro turno, que acontece no domingo (4). A decisão foi anunciada a menos de duas horas do início do programa, numa publicação no X.
“Acabo de tomar a decisão de não ir ao debate da Globo em função da censura imposta ao evento pelo TSE. A imprensa tem que ser livre e as eleições limpas. Em breve mais detalhes”, escreveu Flávio.
A censura citada pelo candidato é uma decisão liminar da ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral, tomada na tarde de quinta a pedido da coligação do presidente Lula (PT). A ministra proibiu a Globo de exibir o púlpito vazio com o nome de Lula durante o debate e também de permitir perguntas dirigidas ao presidente ausente. Lula já tinha avisado que não iria e escolheu dar entrevista ao Flow Podcast a partir das 20h45, praticamente no mesmo horário.
A regra derrubada estava no item 7 da ata do debate, o documento com as normas definidas pela emissora para o encontro. Para Estela Aranha, a cláusula tinha “aparente intuito de compelir o comparecimento ao debate” e tirava dos candidatos o direito de escolher se participam ou não, já que a presença é facultativa pela lei eleitoral. O caso foi encaminhado à Procuradoria-Geral Eleitoral e será levado ao plenário do TSE.
Minutos antes do anúncio de Flávio, veio a segunda reviravolta do dia. O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, determinou que a Globo incluísse no debate Renan Santos, candidato do partido Missão. Gilmar atendeu a um pedido do Solidariedade e entendeu que, como a própria Globo tinha fixado um critério para substituir quem desistisse, Renan cumpria a regra e não poderia ser deixado de fora.
A decisão de Gilmar passou por cima do que já tinha sido decidido em outras instâncias. O presidente do TSE, Nunes Marques, havia negado o pedido de Renan por entender que a emissora não era obrigada a convidá-lo, e a ministra Cármen Lúcia, do STF, rejeitou uma ação da Missão por considerar inadequado o caminho processual. O partido não tem os cinco parlamentares no Congresso exigidos pela lei para garantir presença obrigatória em debates de rádio e TV.
Segundo a colunista Andreza Matais, do portal Metrópoles, em coluna publicada nesta quinta-feira (1º), a campanha de Flávio entende que a interferência do Judiciário nas regras do debate equivale a censura, e o candidato não aceitaria participar de um confronto com regras ditadas por decisões judiciais.
Nos bastidores, relatos publicados pela imprensa nacional ao longo da noite apontam que a entrada de Renan também pesou. Aliados do candidato do PL avaliavam que Renan usaria o espaço para ataques diretos a Flávio. Sem o púlpito de Lula no cenário, a campanha também perderia a chance de confrontar o petista diante das câmeras, mesmo com ele ausente.
Com as duas baixas, o debate fica com Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante), Romeu Zema (Novo) e, por ordem do STF, Renan Santos. A mediação é de César Tralli.
Não é a primeira vez que os dois principais nomes da disputa ficam fora de um debate nesta campanha. No primeiro encontro entre presidenciáveis, em 23 de agosto, Lula, Flávio e Zema também não compareceram.
A desistência acontece no mesmo dia em que o Datafolha divulgou pesquisa mostrando empate técnico entre Lula, com 48%, e Flávio, com 45%, num eventual segundo turno.
Flávio prometeu divulgar mais detalhes sobre a decisão. Os brasileiros vão às urnas no domingo (4) para o primeiro turno.
Fonte: coluna de Andreza Matais, no portal Metrópoles.
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