O CEO da rede de academias Ufit, João Pedro Morais, procurou o Jornal Razão e respondeu aos questionamentos feitos por sócios-investidores das unidades de Tijucas e do Pagani, na Palhoça. A entrevista foi gravada e ocorre depois de dois investidores relatarem à reportagem que não vinham recebendo o retorno previsto em contrato.
Ele afirma que estava em lua de mel quando o caso veio a público e que ficou de 20 a 25 dias fora. Pediu desculpas pela demora em responder e disse que aguardou reuniões de alinhamento na empresa antes de falar.
Prazos e pagamento
Questionado sobre os prazos de 12 meses e de um ano e três meses relatados pelos sócios, já que o contrato prevê pagamento trimestral a partir da abertura da unidade, João afirmou que a unidade de Tijucas foi paga.
Ele descreveu o instrumento como “um contrato de garantia de 2% que a gente fez com os investidores que iniciaram com a gente, lá atrás” e afirmou que esse modelo não é mais oferecido pela rede. Segundo ele, a empresa honra os contratos já assinados, mas não faz pagamentos fora do trimestre. “Nesse contrato está escrito que todos os pagamentos serão feitos em abril, em julho, em outubro e em janeiro, de acordo com o calendário fiscal”, disse.
Documentos contábeis
Sobre a cláusula que assegura livre acesso aos registros contábeis e sobre os balanços e DREs pedidos pelos sócios e não entregues, o CEO respondeu que o problema atingiu a todos.
Segundo ele, a rede contratou um BPO financeiro — empresa terceirizada de gestão financeira — a pedido dos próprios investidores, para que houvesse uma empresa externa cuidando das contas. “Essa empresa se atrapalhou e, infelizmente, a gente acabou atrasando algumas entregas de documentação”, afirmou. Ele disse que também é investidor da rede, com no mínimo 52,5% de uma das academias, e que os atrasos o afetaram igualmente.
João afirmou que a rede rompeu com o BPO e que o setor financeiro voltou a ser interno.
Serasa
Questionado sobre as duas contas em aberto que geraram restrição no nome de uma das sócias, o CEO negou que tenha havido negativação. “Isso não sujou o nome dessa pessoa em nada”, afirmou. Segundo ele, trata-se de um aviso enviado pelo Serasa informando que há conta em aberto na empresa da qual ela é sócia, sem vínculo direto com o CPF.
Ele atribuiu o episódio ao mesmo BPO financeiro. “Foi o BPO que gerou todos esses estresses”, disse. A reportagem questionou para onde foram os valores, que constavam como saída na DRE apresentada aos sócios, e se a empresa vai regularizar as pendências; esses pontos não foram respondidos diretamente.
A proposta de compra das cotas
Sobre a proposta enviada à investidora, que previa multa de R$ 100 mil caso ela voltasse a citar o nome da Ufit, exigia a entrega de prints e áudios de outros sócios em sete dias e incluía uma retratação pública, João afirmou que condições fazem parte de qualquer negociação.
Ele disse que a investidora pediu a recompra das cotas enquanto ele estava em lua de mel e comparou a situação à de uma construtora. “Quando uma pessoa compra um apartamento da construtora, a construtora é obrigada a recomprar o seu apartamento quando você quiser? Não, ela te vendeu um apartamento”, afirmou. Segundo ele, a rede não é obrigada a recomprar a participação de nenhum investidor.
Sobre a condição imposta, foi direto: “A minha oferta foi para que essa pessoa parasse de falar inverdades na internet, assim eu recompraria as cotas dessa pessoa.”
O CEO acrescentou que enviou à investidora a mesma proposta feita a outros sócios e que, somente nas unidades em que ela participa, mais de dez pessoas aceitaram as mesmas condições.
A acusação sobre o Jornal Razão
Questionado sobre a afirmação de que alguém estaria pagando R$ 10 mil à investidora para que ela desse entrevista ao Jornal Razão, João atribuiu a informação a ela própria. “Essa informação veio da pessoa que está falando”, disse. Perguntado se havia algo que sustentasse a afirmação, respondeu: “Na verdade, ela que me falou isso.”
Ele afirmou não ter divulgado o conteúdo das conversas por haver um processo em aberto e disse que, apesar da liberdade de expressão, “nem tudo que você fala não tem uma consequência”.
A investidora afirma o contrário: que a acusação partiu do próprio CEO e de um auxiliar, e que foi usada como condição nas tratativas. Ela diz ter gravado as ligações. O Jornal Razão nega ter recebido ou oferecido qualquer pagamento pela entrevista.
Recompra de cotas e mudança no modelo
João afirmou que a rede tem cerca de 180 investidores e que, em média, 5% deles buscam sair a cada período por motivos pessoais — compra de casa, troca de carro ou aperto financeiro. Segundo ele, esses casos são encaminhados ao setor de investimentos da empresa, que revende a cota a novos interessados.
O CEO disse que, depois da repercussão do caso, alguns investidores ficaram inseguros e ele recomprou cerca de 36 cotas. “Quase toda a unidade dessa investidora”, afirmou, acrescentando que hoje detém quase 100% das quotas daquela unidade. Segundo ele, a mesma proposta foi enviada à investidora, que não aceitou.
Ele afirmou ainda que a rede encerrou a venda de meia cota, modalidade com valores abaixo de R$ 200 mil, e passou a buscar investidores qualificados, acima de R$ 1 milhão, e profissionais, acima de R$ 10 milhões.
Sazonalidade
Sobre os meses em que as unidades não entregaram o retorno esperado, João comparou o setor à gastronomia no litoral catarinense. Segundo ele, no inverno o faturamento cai e sobra menos em caixa, o que reduz a rentabilidade, enquanto no verão a procura aumenta.















