Um jovem trabalhador informal teve seus doces apreendidos pela fiscalização da Prefeitura de Criciúma (PMC) na tarde de quarta-feira (17), na Praça Nereu Ramos, no Centro da cidade. A ação foi realizada por uma equipe da administração municipal, que recolheu todo o material que estava sendo vendido pelo ambulante João Mateus Silva, de 20 anos.
João desabafou após a abordagem, dizendo que buscava apenas uma forma de sustentar sua família. “Sei que um ambulante precisa de autorização para comercializar os produtos na rua, mas eu não montei nenhuma barraca e não estava com carrinho vendendo. A venda dos doces é a forma que tenho de trazer sustento para minha casa. Queriam que, ao invés de trabalhar, eu estivesse roubando?”, questionou o jovem.
O episódio foi registrado em vídeo pelo próprio trabalhador e divulgado em suas redes sociais. Nas imagens, é possível ver o momento em que ele é abordado por um servidor comissionado da prefeitura, identificado como Luciano Cândido, sargento da reserva remunerada da Polícia Militar que atua desde novembro de 2024 como zelador no local.
Durante a abordagem, o servidor se identifica e confronta o jovem: “Eu sou o sargento Luciano da Polícia Militar. Tu quer discutir comigo? Baixa a bola que você não está lidando com criança. Tu pode gravar, pode fazer o que tu quiser. Baixa tua bola, diminui o teu ritmo e aí a gente já vai chamar a viatura e vamos recolher o teu material”.
Na sequência, uma guarnição da Polícia Militar chega ao local e aborda o trabalhador. Segundo a corporação, diante da situação e por ter sido chamado de “seus pelas”, foi lavrado um Termo Circunstanciado (TC) contra o jovem por desacato.
Procurada, a Prefeitura de Criciúma informou que emitirá uma nota oficial para esclarecer os fatos. O caso repercutiu nas redes sociais, levantando debates sobre a regulamentação da atividade de vendedores ambulantes e os limites da atuação da fiscalização.
A administração municipal não se manifestou sobre o ocorrido até o momento.















