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Protetora denuncia abrigo com ratos, fezes e mais de 100 animais em situação crítica em Canelinha

Relato de protetora aponta ratos, animais doentes e histórico de surto de cinomose; caso está no Ministério Público de Santa Catarina e pode levar à interdição

Protetora denuncia abrigo com ratos, fezes e mais de 100 animais em situação crítica em Canelinha
Foto: Reprodução
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Um rato morto em cima da cama onde os cães dormem. Água misturada com fezes na vasilha de beber. Ração encharcada largada na lama e caminhas espalhadas no barro. Foi essa a cena que a protetora de animais Amanda diz ter encontrado ao entrar, pela primeira vez, nas áreas internas de um abrigo em Canelinha, no Vale do Rio Tijucas.

Protetora independente de Tijucas, Amanda acompanha o local há alguns anos, retirando animais para tratamento e adoção. Segundo ela, foi só na semana passada, quando a equipe foi até o abrigo fazer um reparo no telhado que vinha cedendo por causa das chuvas, que a real dimensão do problema apareceu. “A gente nunca entrou lá dentro pra ver cada parte do espaço”, relata a protetora.

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Do lado de dentro, conforme o relato, a situação era pior do que se via de fora. Havia ratos correndo entre os pés das pessoas, fezes acumuladas já em estado de mofo e um cheiro forte tomando o ambiente. Segundo Amanda, o cenário reunia rato morto na cama dos cachorros, água contaminada para os animais beberem e ração molhada misturada à lama.

O estopim para a denúncia, porém, veio antes. De acordo com a protetora, um animal havia sido atacado dentro do abrigo e passou dois dias sem atendimento veterinário, porque a pessoa responsável não teria carro para levá-lo e não pediu ajuda. Ao chegar para buscar um filhote para adoção e encontrar o animal ferido, Amanda diz ter fotografado a cena e acionado outro ativista, que formalizou a manifestação.

A denúncia foi registrada no Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) em 28 de maio. Em julho, segundo Amanda, novos vídeos e provas da situação foram encaminhados ao órgão.

A protetora afirma que a tramitação chegou a travar por uma falha administrativa: a Prefeitura de Canelinha teria recebido o e-mail do Ministério Público, mas não registrou a ciência, o chamado “visto”, o que impediu o início da contagem do prazo. Ainda segundo ela, a ciência só foi registrada em 6 de julho, dando início a um prazo de 15 dias para que a Prefeitura apresente diligências e responda ao MPSC.

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Amanda conta que também procurou a vigilância sanitária de Canelinha, que teria ido ao local por causa da denúncia. Segundo a protetora, os agentes falaram que uma interdição seria possível, mas questionaram se havia para onde levar os animais. “Não é obrigação nossa ter pra onde levar os animais, é obrigação do poder público”, respondeu ela.

Não há número exato de animais no abrigo. Amanda estima mais de 100, entre fêmeas, machos e filhotes. Muitas fêmeas ainda não foram castradas e, segundo ela, nenhum dos machos passou por castração. Há animais doentes e com sarna, além da infestação de ratos, que a protetora associa ao risco de leptospirose, doença que pode ser fatal tanto para pessoas quanto para animais.

O histórico do local também pesa. De acordo com Amanda, no ano passado um surto de cinomose matou 49 animais no abrigo. Ela lembra que a doença permanece por muito tempo no ambiente, o que faz com que novos animais que chegam ao espaço possam se contaminar.

Ao longo do tempo, a protetora diz ter retirado do abrigo animais machucados, mães com filhotes e filhotes para adoção, custeando os tratamentos necessários. O pedido final dela é por uma ação mais firme do poder público e das autoridades ligadas à causa animal.

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“A gente precisa acabar com esse local, destinar os animais para atendimento veterinário, para um lugar digno para eles, e a pessoa também para atendimento, para ver o que precisa de suporte”, afirmou. “Eu peço que, por favor, agilizem isso e nos deem prazos.”

O caso corre no Ministério Público de Santa Catarina, que aguarda o prazo de 15 dias para a resposta da Prefeitura de Canelinha.

A protetora ainda questiona a implementação da Lei Municipal nº 4.563, de 2 de abril de 2026, que criou o cargo de Coordenador de Bem-Estar Animal, função que deve ser exercida por um médico veterinário e inclui receber denúncias, recolher animais e aplicar medidas administrativas.


A principal dúvida é se o cargo já foi preenchido e, caso não, por que ainda não houve nomeação. A expectativa é que o serviço seja estruturado para agilizar o atendimento às denúncias e fortalecer a proteção animal no município.

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