Uma operação do GAECO (Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas), do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), mirou na manhã desta terça-feira (2) um esquema familiar de lavagem de dinheiro que, segundo a investigação, transformava recursos de contratos públicos de coleta de lixo em patrimônio com aparência de legalidade. Batizada de “DNA do Crime” — nome escolhido porque o grupo investigado é formado essencialmente por integrantes de uma mesma família —, a ação cumpriu 15 mandados de busca e apreensão e 7 de prisão em Blumenau, Gaspar e Curitiba (PR).
Segundo o MPSC, a operação bloqueou cerca de R$ 66 milhões, apreendeu 95 veículos e bloqueou 19 imóveis ligados à suposta lavagem, mobilizando 47 agentes. A “DNA do Crime” é um desdobramento da Operação Mensageiro, que apura corrupção de agentes públicos e fraude em licitações.
No centro do esquema, conforme a investigação, está Schirle Scottini, apontada como a líder que comandava de forma dissimulada toda a engrenagem financeira. Conforme apurou o Jornal Razão, ela já havia sido condenada anteriormente por fraudes em licitações e já se encontrava presa preventivamente em processos conexos antes da operação desta terça.

O ponto de partida do dinheiro, segundo a apuração, é a SAAY’S Soluções Ambientais, empresa de coleta de resíduos apontada como o “motor financeiro” do grupo. Levantamento do Tribunal de Contas do Estado (TCE/SC) indica que a companhia recebeu cerca de R$ 113,5 milhões em contratos públicos entre 2016 e 2025.
A partir daí, ainda segundo a investigação, os valores eram pulverizados por uma rede de empresas usadas para dar aparência lícita aos recursos: a locadora Renova, a Reviva Verde, a consultoria S&S, a MR Participações e a holding patrimonial Trento. O mecanismo incluía contratos e empréstimos fictícios, mútuos sem lastro e o uso de “laranjas”. O fluxo só entre SAAY’S e Renova saltou de cerca de R$ 847 mil em 2019 para mais de R$ 16 milhões em 2024, conforme os dados levantados.

Esse dinheiro, segundo a investigação, virava bens. A Renova concentrou veículos avaliados em cerca de R$ 3,7 milhões, transferidos entre pessoas e empresas do grupo sem pagamento correspondente. Já a holding Trento foi usada para movimentar cerca de duas dezenas de imóveis, com permutas, contratos “de gaveta” e valores declarados que não batiam com o que circulava nas contas.
O núcleo familiar investigado reúne, além de Schirle, os filhos Arnaldo Müller Júnior e Yasmin Caroline Müller — esta última advogada —, a irmã Adriana Olinda Scottini, a nora Milani Crislei Tozzi Müller, o cunhado Marcos Antônio Tanholi, a irmã Ida Luciani Scottini e o funcionário Rafael Andrade Weber. O engenheiro Lauro Luiz Leone Vianna, apontado como articulador das estruturas financeiras, também é investigado.

Conforme apurou o Jornal Razão, todos foram alvos dos mandados de busca e apreensão, ao lado das empresas do grupo.
A apuração corre sob segredo de justiça e segue em andamento. Novos detalhes serão divulgados em breve pelo Jornal Razão. A reportagem busca contato com as defesas dos investigados, e o espaço permanece aberto para manifestação.
























