A cena que correu as redes começou dentro de um quarto, no bairro Próspera, em Criciúma. Uma mulher de 32 anos posicionou o celular, gravou a própria agressão e depois transformou aquele vídeo na prova que a levou até a delegacia. Nas imagens, ela aparece sendo atingida com tapas e puxões de cabelo pelo então companheiro. Foi a partir desse registro que o caso saiu do ambiente doméstico e virou objeto de investigação policial.
O caso passou a ser apurado pela Polícia Civil, por meio da Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso, a DPCAMI, depois que a vítima registrou boletim de ocorrência no fim de junho. No documento, ela relatou os tapas e os puxões de cabelo. O homem que aparece nas imagens foi identificado como João Gabriel Tibincoski, de 33 anos.
Procurado, Tibincoski apresentou uma versão bem diferente da que o vídeo sugere. Ele afirmou que estava dormindo, sob efeito de álcool, quando teria acordado sendo agredido pela companheira. Segundo ele, a gravação teria sido armada para provocá-lo.
ASSISTA AO VÍDEO
Ela colocou uma câmera pra filmar e veio me atacar para ver se eu revidava. Entramos em luta corporal e eu pedi pra ela parar. Em algum momento do vídeo ela diz “vai me bater? Tá gravando ali”, e então eu xingo ela e tiro ela de perto de mim. Isso tudo em cima da cama.
Ainda conforme o relato dele, a vítima teria procurado a polícia após o término do relacionamento, por não ter aceitado o fim da relação. É a versão do investigado, e nenhuma dessas alegações foi confirmada pela investigação até agora.
O laudo
O que existe de documentado aponta para outra direção. Um exame de lesões corporais feito pela Polícia Científica registrou dores na região da cabeça, área com hematoma no antebraço esquerdo e outra na perna direita, com escoriação associada. O laudo respondeu “sim” à pergunta sobre ofensa à integridade corporal e classificou a origem como ação contundente, ou seja, resultado de força física. O exame apontou que não houve perigo de vida nem incapacidade prolongada.
Diante da denúncia, a Justiça concedeu uma Medida Protetiva de Urgência em favor da vítima, impondo restrições ao autor. A medida é uma resposta do próprio sistema à existência de indícios, independentemente do desfecho do processo.
A divisão nas redes
O caso ganhou ainda mais tração pela reação nos comentários, que se dividiram de forma acalorada. De um lado, muita gente saiu em defesa da vítima e classificou como inaceitável qualquer tentativa de justificar a agressão. De outro, parte dos comentários passou a questionar a motivação dela por ter filmado a cena, sugerindo que o registro teria sido premeditado para prejudicar o companheiro. A discussão sobre quem gravou, por que gravou e o que a lei protege virou um debate paralelo ao próprio fato.
A Polícia Civil segue com a investigação, e o caso permanece em andamento na DPCAMI.
























