Era o fim da tarde quando um morador de Florianópolis caminhava pelo deck da Praia das Palmeiras, no bairro Itaguaçu, área continental da capital. Segundo o relato da vítima, o que começou como zombaria de um grupo de cerca de seis pessoas terminou em um espancamento marcado por socos, pontapés e ofensas homofóbicas, deixando o rosto dele ferido.
De acordo com a versão repassada à Polícia Militar de Santa Catarina (PMSC), um dos suspeitos, descrito como um homem de pele morena e de moletom, teria se aproximado e exigido dinheiro e o celular da vítima. Diante da recusa, o grupo teria partido para a agressão. A vítima afirmou não ter conseguido detalhar as características dos demais, mas relatou que quatro aparentavam ser menores de idade e outros dois, maiores.
Durante o ataque, os agressores teriam usado ofensas relacionadas à orientação sexual da vítima. “Pela voz já dá pra ver que é viadinho”, teria dito um deles, conforme a versão registrada. Outra frase atribuída ao grupo foi: “Prepara que você vai apanhar bastante e vai morrer, viadinho”. A vítima disse ter percebido que se tratava de um ódio gratuito, com sinais de homofobia.
Tênis e chave levados
Além das agressões, os suspeitos teriam levado o par de tênis e a chave da casa da vítima. Segundo o relato, após o ataque o grupo deixou o local a pé, em sentido ignorado. A vítima informou ainda que o deck da Praia das Palmeiras conta com diversas câmeras de monitoramento, tanto particulares quanto da Polícia Militar, o que pode ser determinante para identificar os envolvidos.
A guarnição da PMSC foi acionada via Copom e encontrou a vítima já na UPA Continente, onde ela permaneceu para exames e medicação. A ocorrência foi registrada como roubo, mas os relatos de ofensas homofóbicas durante a agressão passaram a integrar a apuração.
O que diz a lei
Caso a motivação seja confirmada pela investigação, o episódio pode ser enquadrado como crime de homofobia. Desde 2019, o Supremo Tribunal Federal (STF) equiparou a homofobia e a transfobia ao crime de racismo, tornando a discriminação por orientação sexual ou identidade de gênero passível de punição criminal no Brasil.
O caso também foi encaminhado ao Núcleo Especial de Atendimento às Vítimas de Crimes do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), órgão responsável por acolher e orientar vítimas após ocorrências dessa natureza. A PMSC e a Polícia Civil seguem à procura dos suspeitos e apuram a autoria do crime.
A vítima é um homem de 44 anos, formado em Serviço Social pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).























