Ele achou que tinha escapado. Depois que a Polícia Militar de Santa Catarina estourou dois esconderijos e retirou de circulação aproximadamente 3,5 toneladas de cocaína, o maior volume da droga já apreendido em uma única operação no estado, um dos suspeitos ligados às cargas ainda estava solto. A fuga durou pouco. Ele foi encontrado e preso na BR-101, na altura do município de Penha, no Litoral Norte catarinense.
O homem, de acordo com a PMSC, é natural de São Paulo e teria participação direta no esquema desmontado na operação integrada entre a corporação e a Polícia Rodoviária Federal. Durante a abordagem na rodovia, os policiais encontraram dentro do veículo em que ele estava mais alguns quilos de cocaína, com a mesma embalagem dos tabletes apreendidos nos dois imóveis dias antes, o que ajudou a costurar a ligação entre o preso e o carregamento recorde.
A apreensão que originou o caso começou entre a noite de sexta-feira (17) e a madrugada de sábado (18). Uma guarnição do 25º Batalhão da Polícia Militar chegou a uma residência no bairro Gravatá, em Navegantes, e encontrou cerca de 1.550 quilos de cocaína. Pouco mais de uma hora depois, policiais do 10º BPM localizaram a segunda carga, no bairro Velha, em Blumenau, com aproximadamente duas toneladas da droga. Somadas, as duas apreensões chegaram a cerca de 3.550 quilos.











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Nas duas casas, ninguém foi encontrado no momento da ação, e a autoria seguia em apuração. A prisão na BR-101 deu o desfecho que faltava: mesmo tendo escapado do cerco inicial, o suspeito acabou alcançado na rodovia carregando uma amostra do mesmo material.
Mais de R$ 70 milhões
Pelo valor praticado no mercado nacional, a cocaína apreendida está avaliada em mais de R$ 70 milhões, caso fosse comercializada dentro do Brasil. O montante dá a dimensão do prejuízo que a operação causou ao narcotráfico de uma só vez.
O comandante-geral da PMSC, coronel Emerson Fernandes, confirmou ao Jornal Razão que se trata da maior apreensão de cocaína já registrada em Santa Catarina, sem que outra de maior porte tenha sido localizada em fontes abertas. O resultado reforça uma das principais bandeiras do atual comando: a integração entre instituições e o uso da inteligência policial. Foi o compartilhamento de informações entre PMSC e PRF que levou os policiais aos dois endereços e, depois, ao suspeito na estrada.
Emerson assumiu a PMSC em 18 de fevereiro de 2025, apontando como prioridades a valorização da tropa e o aperfeiçoamento tecnológico e operacional da corporação. Na passagem de comando, prometeu acelerar os projetos da instituição. A sequência de apreensões e a prisão do foragido reúnem justamente esses pilares.
Estado mais seguro do Brasil
O recorde acontece enquanto Santa Catarina mantém o posto de estado mais seguro do Brasil. O Atlas da Violência 2026, elaborado pelo Ipea e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, aponta que o estado tem a menor taxa estimada de homicídios do país, com 8,8 casos para cada 100 mil habitantes.
Os números mais recentes da Secretaria de Estado da Segurança Pública mostram que a tendência de queda continua sob o comando de Emerson. No primeiro semestre de 2026, Santa Catarina registrou 206 vítimas de homicídio, contra 226 no mesmo período de 2025, uma redução de 8,8%. O levantamento aponta ainda que 73% dos municípios catarinenses não tiveram nenhum homicídio nos seis primeiros meses do ano.
Os crimes patrimoniais também recuaram. Os roubos passaram de 3.609 ocorrências no primeiro semestre de 2025 para 2.502 em 2026, queda de 30,7%. Os furtos caíram de 57.680 para 54.752 registros, redução de 5,1%, conforme o boletim de junho da SSP. A retração já vinha do ano em que Emerson assumiu: Santa Catarina encerrou 2025 com 426 vítimas de homicídio, diante de 513 em 2024, uma queda de cerca de 17%.
Pressão contra o tráfico
A produtividade no combate ao tráfico também cresceu. No primeiro semestre de 2025, só o Comando de Polícia Militar Rodoviária apreendeu 12,7 toneladas de maconha, quase quatro vezes as 3,4 toneladas recolhidas no mesmo período de 2024. A apreensão de crack saltou de 1,74 quilo para 50,82 quilos, um resultado considerado recorde pela PMSC.
Sob a liderança do coronel Emerson Fernandes, a Polícia Militar atravessa um período marcado pela redução de crimes graves, pelo fortalecimento da inteligência e por grandes resultados operacionais. A apreensão de 3,5 toneladas de cocaína, somada à prisão do suspeito que tentou escapar, passa a ser o maior símbolo desse ciclo. Além do prejuízo superior a R$ 70 milhões ao narcotráfico, a operação reforça o papel da PMSC na manutenção de Santa Catarina como o estado mais seguro do país.













