O Jornal Razão identificou quem são os sete presos na Operação DNA do Crime, deflagrada nesta terça-feira (02) pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) do Ministério Público de Santa Catarina. A ação, um novo desdobramento da Operação Mensageiro, cumpriu 7 mandados de prisão e 15 de busca e apreensão nas cidades de Blumenau, Gaspar e Curitiba (PR), com o apoio de 47 agentes.
Conforme a investigação do Gaeco, o esquema de lavagem de dinheiro era liderado pela empresária Schirle Scottini, de Gaspar, e operava por meio de um núcleo familiar que teria utilizado contratos públicos de coleta de lixo firmados com municípios catarinenses para acumular e ocultar patrimônio. Segundo dados do Tribunal de Contas do Estado citados na investigação, a empresa Saay’s Soluções Ambientais, apontada como o motor financeiro do grupo, recebeu mais de R$ 113 milhões de entes públicos entre 2016 e 2025. Nenhum dos contratos investigados é da cidade de Blumenau.
A operação resultou ainda na apreensão de 95 veículos, no bloqueio de 19 imóveis e na indisponibilização de cerca de R$ 66 milhões.
Quem são os presos
Schirle Scottini — apontada como líder
Empresária de Gaspar, 54 anos, é apontada pelo Gaeco como a líder da organização criminosa. Conforme a investigação, embora não figurasse formalmente como sócia da Saay’s — registrada em nome dos filhos —, Schirle exercia o comando integral da gestão administrativa e financeira do grupo. O próprio nome da empresa seria formado pelas iniciais dos membros da família: Schirle, Adriana, Arnaldo e Yasmin.
Segundo o Gaeco, Schirle controlava de fato as empresas Renova, Trento e S&S Consultoria, mesmo sem constar como sócia ou administradora formal. Mensagens extraídas de seu celular durante a Operação Mensageiro mostraram que ela autorizava operações financeiras, orientava a contabilidade, gerenciava contratos e controlava contas bancárias das empresas do grupo.
Schirle já havia sido condenada a mais de 10 anos de reclusão em regime fechado pela Justiça de Ituporanga por organização criminosa, peculato e corrupção ativa, em caso ligado à mesma estrutura. Ela se encontra recolhida no Presídio Feminino de Itajaí.
Arnaldo Müller Júnior — filho e sócio majoritário da Saay’s
Filho de Schirle, 34 anos, empresário de Gaspar. Conforme a investigação, Arnaldo detém 90% do capital social da Saay’s Soluções Ambientais e era responsável pelo setor logístico da empresa. Segundo o Gaeco, ele atuava na redistribuição de recursos, concedendo empréstimos fictícios à mãe e à irmã Yasmin para viabilizar a aquisição de cotas nas empresas do grupo.
A investigação aponta que Arnaldo retificou sua declaração de imposto de renda de 2017 — apenas em 2019 — para incluir incorporação de reservas de capital de mais de R$ 1,6 milhão, criando capacidade financeira artificial para justificar empréstimos à mãe. Assim como Schirle, já se encontrava preso preventivamente em feitos conexos e está recolhido no sistema prisional de Itajaí.
Yasmin Caroline Müller — filha e advogada
Filha de Schirle, 33 anos, advogada e empresária de Blumenau. Conforme o Gaeco, Yasmin foi a primeira administradora formal da empresa Renova e é co-proprietária da holding Trento Participações, ao lado de Milani. A investigação a aponta como intermediária relevante no fluxo financeiro do grupo, figurando em operações societárias, negociações imobiliárias e transferências sem lastro bancário compatível.
Segundo o Gaeco, registros extraídos de seu celular indicam que Yasmin teria orientado a tia Adriana sobre estratégias para dissimular a titularidade de um imóvel. Na véspera da operação, conforme as investigações, Yasmin deixou Blumenau de forma repentina pela BR-470 e circulou durante a noite por cidades do litoral catarinense. Equipes do Gaeco passaram a noite tentando localizá-la. Ela foi encontrada na manhã seguinte na casa da mãe. Está recolhida no Presídio Feminino de Itajaí.
Adriana Olinda Scottini — irmã de Schirle
Irmã de Schirle, empresária de Blumenau. Conforme a investigação, Adriana detém 10% do capital social da Saay’s e atuava em atividades administrativas da empresa. Segundo o Gaeco, ela promoveu alterações em declarações de imposto de renda — no mesmo ano em que Arnaldo fez retificação semelhante — com indícios de criação de disponibilidade financeira artificial para direcionar recursos a Schirle e Yasmin.
A investigação identificou ainda que Adriana adquiria veículos para uso pessoal — como um VW Polo e um Jeep Compass — utilizando o nome da empresa Renova. Foi presa na operação desta terça-feira e está recolhida no sistema prisional de Itajaí.
Marcos Antônio Tanholi — cunhado
Companheiro de Adriana, administrador, residente em Blumenau. Conforme o Gaeco, Marcos é o sócio-administrador da empresa Reviva Verde — mesma empresa que já figurou como concorrente de fachada em licitações fraudadas em Ituporanga — e também detém participação na MR Participações.
A investigação aponta que ele declarou crescimento abrupto de lucros na Reviva Verde incompatível com a realidade da empresa, e que suas declarações de imposto de renda eram elaboradas sob influência direta de Schirle e Adriana, com auxílio de um contador. Foi preso na operação desta terça-feira.
Milani Crislei Tozzi Müller — nora
Esposa de Arnaldo, administradora, residente em Gaspar. Conforme a investigação, Milani exerce função financeira na Saay’s e é formalmente remunerada pela Trento Participações, da qual é co-proprietária com Yasmin. Segundo o Gaeco, suas contas registram intenso trânsito de recursos envolvendo diversos integrantes do grupo. Foi presa na operação desta terça-feira.
Rafael Andrade Weber — administrador de fachada
Engenheiro ambiental de Blumenau, 42 anos. Conforme o Gaeco, Rafael é administrador formal da Renova e da MR Participações, mas sua gestão seria meramente fictícia. A investigação aponta que ele não detinha capacidade financeira compatível com a titularidade de empresas com patrimônio milionário, e que o controle real era exercido por Schirle. Em seu celular funcional, os investigadores encontraram certidões do Detran com registro de veículos transferidos sem lastro financeiro. Foi preso na operação desta terça-feira.
Investigados não presos
Dois alvos da operação tiveram apenas mandados de busca e apreensão cumpridos, sem ordem de prisão: Ida Luciani Scottini, irmã de Schirle, que segundo a investigação participava de operações imobiliárias e funções financeiras do grupo; e Lauro Luiz Leone Vianna, engenheiro de Curitiba (PR), apontado pelo Gaeco como o articulador intelectual dos estratagemas de lavagem, responsável por orientar a família na estruturação de contratos, cessões de direitos e operações societárias.
As empresas do esquema
Conforme a investigação, cinco empresas foram utilizadas como instrumentos de lavagem além da própria Saay’s: a Renova Locação de Veículos, que concentrava um acervo de veículos avaliado em R$ 3,7 milhões transferidos sem pagamento; a Reviva Verde, que já havia servido como concorrente de fachada em licitações; a Trento Participações, holding patrimonial com cerca de 20 matrículas imobiliárias e operações marcadas por permutas com valores incompatíveis e contratos de gaveta; a S&S Consultoria, criada por Schirle para justificar saídas de recursos da Saay’s; e a MR Participações, utilizada para circulação simulada de recursos por meio de mútuos fictícios.
Até a última atualização, todos os presos permaneciam recolhidos. O caso segue em investigação pelo Gaeco.























