Uma jovem de 21 anos foi atropelada por um motorista de aplicativo após uma discussão sobre o pagamento da corrida, na madrugada de sexta-feira (30), em Florianópolis.
O caso aconteceu por volta das 5h, na Rodovia Tertuliano Brito Xavier, em Canasvieiras, na frente da Marina da Croa. Conforme a Polícia Militar de Santa Catarina, a vítima, identificada como Mia Sophie da Silva Bispar, estava em uma corrida do aplicativo 99 com outras três pessoas quando o desentendimento começou.
Segundo o relato dos envolvidos registrado pela polícia, a discussão teria sido motivada pela forma de pagamento. No momento de quitar a corrida, o celular da passageira desligou, e ela ofereceu uma nota de R$ 100 ao motorista, que não tinha troco. A corrida custava R$ 21,90.
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A jovem deixou o veículo, e foi ao atravessar a via que, conforme a apuração, o motorista acelerou o carro e a arrastou por alguns metros até que ela caísse no asfalto. Mia teve escoriações pelo corpo, um corte no supercílio e lesões na mão esquerda. Ela foi socorrida pelo Corpo de Bombeiros e encaminhada ao Hospital Governador Celso Ramos.
O motorista fugiu sem prestar socorro à vítima. De acordo com a Polícia Militar, não foi possível identificar o nome completo do condutor, já que o aplicativo exibia apenas o primeiro nome. O caso foi registrado como acidente de trânsito com lesão corporal culposa e deixar de prestar socorro à vítima.
O relato da vítima
Em vídeos publicados nas redes sociais, Mia afirmou que o atropelamento teria sido proposital e classificou o que viveu como uma tentativa de homicídio. Em meio aos ferimentos, ela contou que recebeu o diagnóstico de uma fratura no rosto e que ainda faria novos exames.
Por uma de R$ 21,90 que o Uber não tinha troco para pagar, ele quase me matou.
Em outro momento, ela completou: “Por muito pouco hoje minha mãe já tinha perdido a filha dela.”
Mia afirmou ainda que o motorista demonstrava comportamento alterado desde o início da corrida e teria admitido estar sob suposto efeito de drogas. Não há confirmação oficial sobre essa versão, e o estado do condutor não foi atestado por nenhum órgão. A jovem disse que pretende tomar as medidas judiciais cabíveis.
Manifestação de apoio
Uma amiga da vítima publicou uma manifestação de solidariedade nas redes sociais e classificou o ataque como um episódio de violência contra pessoas trans. Mia é uma mulher trans. Em seu próprio relato, no entanto, a jovem atribui a agressão à discussão sobre o pagamento da corrida e não cita transfobia como motivação.
Nenhuma pessoa deveria passar por uma situação como essa.
O que diz a 99
Em nota, a 99 afirmou lamentar o ocorrido e disse adotar política de tolerância zero para comportamentos ofensivos, atitudes agressivas e qualquer forma de violência, especialmente contra mulheres. Segundo a empresa, o motorista parceiro foi permanentemente bloqueado da plataforma, e uma equipe busca contato com a passageira para acolhimento e orientação sobre o acionamento do seguro, que inclui atendimento psicológico e auxílio para despesas médicas.
A companhia informou ainda que motoristas parceiros passam por processo de cadastro que exige o envio da Carteira Nacional de Habilitação e do documento do veículo, com consulta do histórico em mais de 130 fontes públicas. A empresa disse contar com mais de 50 funcionalidades de segurança, como botão de emergência, central de atendimento 24 horas, gravação de áudio e compartilhamento de rota, e afirmou estar à disposição para colaborar com as autoridades.
Até a última atualização, o motorista não havia sido identificado oficialmente. O caso segue sob investigação da Polícia Civil.

























