A Polícia Civil do Distrito Federal prendeu, nesta terça-feira (3), em Florianópolis, um homem de 32 anos natural do Benim, apontado como operador financeiro no Brasil de uma organização internacional especializada em estelionatos virtuais. A ação faz parte da Operação The Rock, deflagrada pela 8ª DP, e levou esse nome porque os golpistas usavam perfis falsos do ator Dwayne Johnson para atrair vítimas.
De acordo com a PCDF, as investigações começaram em setembro de 2025 e revelaram que o grupo agia de maneira estruturada e transnacional. Os acessos às contas usadas nos golpes vinham de um país africano, conforme indicaram os endereços IP. Cabia ao suspeito preso em Santa Catarina receber valores via PIX, movimentar o dinheiro e dar suporte ao núcleo estrangeiro.
O golpe tinha roteiro digno de filme: perfis que imitavam “The Rock” iniciavam conversa com as vítimas, criavam vínculo emocional — afinal, quem não se empolgaria ao ser notado por um astro de Hollywood? — e, só depois, surgia a promessa de um prêmio internacional de 800 mil euros. A partir daí, vinham documentos falsificados, fotos de pacotes lacrados, mensagens em inglês e supostos comprovantes de remessa.
O problema começava quando “The Rock” pedia dinheiro. As vítimas eram orientadas a pagar taxas, seguros e liberações aduaneiras por meio de transferências que acabavam nas contas controladas pelo operador brasileiro. Uma moradora de Brasília perdeu R$ 11,6 mil. Em Minas Gerais, outra vítima amargou prejuízo de cerca de R$ 80 mil. Segundo a Polícia Civil, há indícios de mais pessoas lesadas.
A operação cumpriu mandados de busca e apreensão em Florianópolis e Itajaí, além de bloqueios judiciais de valores. Aparelhos telefônicos e dispositivos eletrônicos foram recolhidos e agora passam por perícia para ajudar a identificar outros envolvidos na rede criminosa. A ação contou com apoio da Polícia Civil de Santa Catarina.
O suspeito vai responder por estelionato eletrônico, previsto no artigo 171, §2º-A, do Código Penal, com pena de quatro a oito anos de reclusão, além de multa. A PCDF afirma que a investigação continua para localizar os demais integrantes do grupo.

























