A versão era de uma queda no banheiro. Foi o que a família apresentou quando o menino de dois anos e seis meses deu entrada no hospital, ainda com vida. Mas a explicação nunca convenceu as equipes de saúde, e oito dias depois a criança não resistiu. O menino, morador de José Boiteux, no Alto Vale do Itajaí, morreu no fim da tarde desta sexta-feira (19), na UTI Pediátrica do Hospital Jaraguá, em Jaraguá do Sul.

A morte foi divulgada pela repórter Greice Sauer, da RBA TV, que vinha acompanhando o caso. Apesar dos esforços das equipes médicas, o menino não suportou a gravidade dos ferimentos. O corpo foi liberado para o funeral na manhã deste sábado.
Entre as causas apontadas para o óbito estão traumatismo cranioencefálico provocado por ação contundente, fratura no osso occipital e hematomas. O que de fato provocou os ferimentos ainda não foi esclarecido e segue sob investigação, em sigilo.

O Jornal Razão acompanhou o caso desde os primeiros dias, quando a criança ainda lutava pela vida na UTI e a falta de repercussão em torno da história começava a ser questionada nas redes sociais.
Relembre o caso
O menino deu entrada no Hospital Doutor Waldomiro Colautti, em Ibirama, na quinta-feira (11). Diante do agravamento do quadro, foi encaminhado para um hospital de Blumenau e, de lá, transferido para a UTI Pediátrica do Hospital Jaraguá, em Jaraguá do Sul, por necessidade de vaga.
Já no primeiro atendimento, ainda em Ibirama, a situação da criança chamou a atenção da equipe de saúde, que acionou a Polícia Militar. Na ocasião, a mãe afirmou, em depoimento informal, que o filho havia sofrido uma queda acidental no banheiro, quando estava sob os cuidados do padrasto. Ela disse ainda suspeitar que uma outra pessoa, que cuidava do menino, pudesse ter cometido as agressões.

Lesões que não combinavam com uma queda
Nos hospitais por onde passou, os profissionais constataram um conjunto de lesões difícil de explicar por um acidente doméstico. Segundo boletim repassado à imprensa pela Polícia Militar, havia fratura no crânio, lesão cerebral e comprometimento da função hepática, além de hematomas nas costas, no peito, na face e em outras partes do corpo.
Ainda durante a internação, exames de fígado apresentaram índices muito acima do normal, e a avaliação neurológica apontou estado gravíssimo, sem possibilidade de abordagem cirúrgica. Parte das lesões cerebrais, segundo o laudo, aparentava ser antiga. A criança, em determinado momento, respondia apenas a estímulos dolorosos.
Caso corre sob sigilo
A Polícia Civil abriu inquérito e decretou sigilo nas investigações. Até o momento, não há informação sobre responsabilização pela morte da criança.
Quando o caso ganhou as redes, ainda com o menino internado, a comoção pública demorou a aparecer, o que levou a jornalista Greice Sauer a cobrar mais atenção para a história, comparando o silêncio com a repercussão de outros casos recentes no estado.
Até a última atualização, as informações sobre velório e sepultamento não haviam sido divulgadas. O caso segue sob investigação, e a polícia apura o que causou os ferimentos.






















