A tarde de sábado no bairro São Cristóvão, em Lages, foi interrompida pelo desespero de um grupo de homens que gritava, no meio da rua, que havia uma pessoa morta em um terreno. A cena, que a princípio parecia mais uma confusão de pessoas alteradas, escondia um homicídio a sangue frio. Dentro do banheiro de uma residência na Rua Manoel Bandeira, um homem de 26 anos estava caído, sem vida, com o corpo marcado por múltiplos disparos de arma de fogo.
A Polícia Militar foi acionada para verificar a informação e, diante da possibilidade de ainda haver criminosos armados nas proximidades, entrou no imóvel para uma varredura tática. Foi durante esse procedimento, com apoio da equipe de inteligência da corporação, que os policiais encontraram a vítima no chão do banheiro, já sem sinais vitais. Nenhum suspeito foi localizado dentro da casa.
O relato mais detalhado do crime veio de uma testemunha que estava na residência no momento do ataque. Segundo ela, por volta das 14h30, um veículo prata parou em frente ao imóvel, e dois homens encapuzados e armados desembarcaram. A testemunha conseguiu fugir antes que a execução começasse, mas ouviu cerca de cinco disparos enquanto se afastava. Ao retornar, encontrou o amigo morto.
Violência em série
A mesma testemunha revelou aos policiais um dado que ajuda a desenhar o cenário de violência na região. Na noite anterior, ela mesma teria sido baleada por um homem conhecido pelos apelidos de “Chato” e “Enxada”, que teria sacado um revólver e efetuado dois disparos, um deles atingindo sua nádega direita. Ela afirmou não ter acionado a polícia na ocasião e disse reconhecer esse mesmo homem como um dos autores do homicídio deste sábado.
Durante as diligências, a Polícia Militar buscou imagens de câmeras de monitoramento nas imediações. As gravações registraram um veículo prata com características compatíveis com o descrito pela testemunha, do qual teriam desembarcado os responsáveis pela execução.
Estojos no sofá
Durante as buscas no interior da casa, os policiais encontraram, escondidos dentro de um sofá, 91 estojos de munição de calibre 5,56, usada em fuzis, e outros 34 estojos de calibre .38, de revólver, todos já deflagrados. O material foi apreendido e entregue à autoridade competente.
A principal testemunha presencial foi conduzida à Polícia Civil para prestar depoimento e auxiliar nas investigações. A Polícia Científica esteve no local para realizar a perícia e a remoção do corpo, enquanto a área permanecia isolada e preservada.
O caso foi registrado oficialmente como homicídio doloso e as investigações foram assumidas pela Polícia Civil, que agora trabalha para identificar e localizar os executores, além de esclarecer a motivação do crime.
























