Uma empresa com sede em Tijucas, no Litoral de Santa Catarina, passou a ser alvo de apurações da Polícia Civil após o resgate de três caminhões com registros de furto e placas adulteradas em Leoberto Leal, no Vale do Itajaí. A ação conjunta, coordenada pela DEIC (Diretoria Estadual de Investigações Criminais), aponta para um possível esquema de ocultação de veículos que seriam alvos de reintegração judicial. Os caminhões, modelo Volvo 2021, foram encontrados dentro de um galpão e avaliados em cerca de R$ 600 mil cada — totalizando aproximadamente R$ 1,8 milhão.
A investigação ainda está em curso, mas fontes ligadas ao caso indicam que os veículos podem estar ligados à empresa Brasil Novo, comandada pelo influenciador e empresário Vanderson de Melo, com histórico de atuação no setor de transportes e locações em todo o Brasil. A mesma empresa já havia sido denunciada por suposta adulteração de placas em caminhões em São Paulo.
Em pronunciamento feito por vídeo nas redes sociais, Vanderson negou qualquer prática ilegal e afirmou que a empresa enfrenta um “blackout financeiro” causado por más decisões administrativas e o cenário econômico adverso. “Quem nunca passou por dificuldade, atire a primeira pedra”, declarou. Ele também afirmou que esteve afastado da gestão e que a tentativa de profissionalização da empresa “não deu certo”.


Vanderson foi citado por Pablo Marçal, influenciador e ex-candidato à Prefeitura de São Paulo, como um “case de sucesso” no setor logístico. No entanto, documentos judiciais revelam que o Grupo Brasil Novo, comandado por ele, deixou de pagar o aluguel de 40 caminhões firmados em contrato com uma grande locadora do setor. A dívida ultrapassa R$ 7 milhões.
Segundo os processos, os veículos deveriam ser devolvidos, mas parte deles “desapareceu”. Até agora, 18 caminhões não foram localizados. Outros 22 foram encontrados com placas trocadas, escondidos sob lonas, transportados por outros caminhões ou levados a locais afastados sem rastreamento por GPS. Dois deles chegaram a ser flagrados com placas frias em rodovias, de acordo com a Polícia Rodoviária Federal.
Durante o vídeo de mais de 15 minutos, Vanderson rejeitou todas as acusações de fraude. Disse que a empresa “cresceu com honestidade e fé” e que nunca “mexeu em nada que não lhe pertencesse”. Ele também criticou veículos de imprensa e “pessoas maldosas” que, segundo ele, estariam distorcendo a realidade.
“Nunca foi lesar ninguém. O Brasil Novo cresceu embasado em muita honestidade, integridade e continua sendo assim até o fim”, declarou. O empresário também responsabilizou a alta da taxa Selic, o agronegócio em crise e o aumento dos custos de transporte como fatores que levaram ao colapso das finanças da empresa.
Ainda de acordo com ele, negociações com bancos têm sido difíceis, o que forçou a paralisação de caminhões aguardando resposta para propostas de refinanciamento. Vanderson afirma que, apesar do momento, “não há nada além de dificuldades financeiras”. Ele também garantiu que a empresa seguirá existindo: “Podemos até envergar, mas quebrar só se for da vontade de Deus.”
As investigações seguem em sigilo. A Polícia Civil de Santa Catarina apura a origem e os responsáveis pela ocultação dos veículos encontrados em Leoberto Leal, enquanto a Polícia de São Paulo analisa o uso de placas frias para burlar decisões judiciais. Até o momento, nenhum mandado de prisão foi expedido contra o empresário ou demais envolvidos.
Enquanto parte da frota ainda permanece desaparecida, a empresa diz que pretende “reajustar a operação” e que vai “honrar o que precisa ser honrado”.














