A megaoperação que varre Araquari desde a madrugada tem um objetivo claro: achar o trio que colocou fogo em quatro viaturas da Guarda Municipal. O primeiro preso não só confessou, como jogou na mesa uma versão que ninguém esperava: a de que o ataque teria envolvimento de um vereador. Paulo Henrique Vonvossen Lickefett, de 18 anos, foi preso durante a operação, admitiu participação no incêndio e citou à polícia o nome de um político da região.
Segundo a Polícia Militar, ele assumiu ter participado do ataque às viaturas e entregou outros dois comparsas, que agora são procurados pela PMSC, pela Polícia Civil e pelas demais forças de segurança que atuam na operação. As buscas pela dupla seguem em andamento.
Versão aponta mandante político
Foi no relato dele que surgiu a suspeita de fundo político. A polícia trata a informação sobre o envolvimento do vereador com cautela e investiga essa versão, que parte exclusivamente da palavra do preso e ainda não tem confirmação. O nome do político não foi divulgado, e nenhuma acusação formal havia sido apresentada contra ele até o momento.
O ataque aconteceu por volta das 2h30, nas dependências da Secretaria de Segurança Pública de Araquari, na Rua São João, bairro Itinga. Imagens de câmeras de segurança registraram parte da ação. Três homens quebraram os vidros das viaturas com pedras, atearam fogo e fugiram em direção a uma rua próxima. Durante a fuga, jogaram uma sacola preta em um terreno baldio, onde a guarnição encontrou depois um galão com líquido inflamável, possivelmente gasolina. O material ficou sob guarda da Polícia Científica para perícia.
As chamas consumiram quatro veículos oficiais do município: três da Guarda Municipal, entre eles duas Renault Duster, e uma Fiat Strada utilizada pelo Setor de Trânsito. Os documentos dos carros foram destruídos pelo fogo, o que dificultou a identificação inicial. Além dos veículos, o incêndio danificou a fachada da Secretaria de Segurança Pública e atingiu imóveis vizinhos pelo calor intenso, num prédio que tem moradores no pavimento superior e a secretaria funcionando no térreo.
O combate às chamas mobilizou o Corpo de Bombeiros Militar e os Bombeiros Voluntários de Araquari, que controlaram o fogo em cerca de dez minutos e fizeram rescaldo por aproximadamente meia hora, com uso de líquido gerador de espuma. Ao todo, cerca de 8 mil litros de água foram usados na operação. O secretário de Segurança Pública de Araquari, Jocelito Machado Rodrigues, acompanhou a ocorrência e auxiliou na abertura da edificação para o acesso das equipes.
Governador cobrou resposta à altura
A resposta ao ataque veio do próprio governador, que cobrou publicamente uma ação à altura contra os criminosos e determinou ao comando da Polícia Militar o envio de reforços de outras regiões do estado. Foi essa mobilização que resultou na megaoperação em curso na cidade e na prisão de Paulo Henrique.
O caso de Araquari também não é isolado. Em junho, viaturas do departamento de trânsito de Bombinhas, no Litoral Norte catarinense, foram incendiadas, em episódio que segue sob investigação. A sequência de ataques a veículos oficiais em cidades diferentes reforçou o alerta das autoridades estaduais.
A Polícia Civil conduz a investigação e apura tanto a autoria material do incêndio quanto a versão sobre o suposto mandante político. A Polícia Científica realizou os levantamentos periciais no local e as autoridades ainda avaliam a extensão dos prejuízos ao patrimônio público. A megaoperação segue nas ruas e as buscas pelos dois foragidos continuam.
























