Um cão de estimação foi morto a golpes dentro do terreno cercado da casa onde vive, em Blumenau, no Vale do Itajaí, e a tutora do animal cobra explicações sobre o que chama de invasão à propriedade. Segundo o relato, o cachorro, um staffordshire de grande porte chamado Ragnar, estava de focinheira quando teria sido atingido por dois homens.
De acordo com a tutora, a rotina daquela quinta-feira (16) começou como qualquer outra. Pela manhã, antes de sair para o trabalho, ela teria soltado os cães na área cercada da frente da casa, recolhido os animais e colocado a focinheira em Ragnar, procedimento que, afirma, adotava sempre que se ausentava, já que o cão passava por adestramento e é de grande porte. Plantonista, cumpria uma jornada de 12 horas quando foi surpreendida pela notícia.
Por volta das 17h15, conta, um advogado a procurou perguntando se ela tinha um pitbull. Ela respondeu que não e, em seguida, foi informada de que havia ocorrido um “acidente” envolvendo um cão e que uma pessoa tinha ido ao hospital, mas passava bem. A essa altura, diz, chegou a acreditar que seu próprio animal havia atacado alguém.
Foi ao pedir que a esposa, que estava viajando, revisasse as câmeras da casa que a versão teria mudado. A residência conta com uma câmera interna e outra na lateral externa. Pelas imagens internas, segundo a tutora, Ragnar começa a ficar em alerta por volta das 14h15, latindo junto com a outra cadela da família, uma vira-lata de pequeno porte, com portas e janelas fechadas.
Ainda conforme o relato, pessoas teriam se aproximado da frente da casa e aberto o portão que ela mesma instalou para impedir o acesso dos cães, entrando na parte cercada do terreno. Em determinado momento, a porta da residência se abre e o cão sai. Mas, segundo a tutora, foi pela frente, onde há um cercado que não daria acesso à lateral externa da casa.
As câmeras externas, que gravam apenas em trechos, mostrariam então dois homens desferindo golpes contra o animal com um objeto que ela compara a uma enxada. Teriam sido de quatro a cinco golpes, afirma. Ragnar morreu por volta das 14h20, mas a família só teria sido avisada quase três horas depois.

“A minha pergunta sempre vai ser por que eles vieram aqui sem autorização, sem me avisar antes, sabendo que tem um cachorro adestrado para a proteção da casa”, diz a tutora. Ela questiona por que os homens entraram no terreno que cercou justamente para manter os animais contidos.
O homem apontado por ela registrou boletim de ocorrência contra a família e alegou ter sido mordido no rosto por Ragnar. A tutora contesta: o cão estava de focinheira, o que, segundo ela, tornaria a mordida improvável; no máximo, admite, o animal poderia tê-lo arranhado. De acordo com a moradora, um dos agentes que atendeu a ocorrência chega a afirmar, nas imagens, que ela teria deixado a porta aberta para o cão atacar, versão que ela nega, alegando que, mesmo aberta, o animal não teria acesso à área externa do terreno.
Para a tutora, dois homens adultos diante de um cão de focinheira teriam como conter o animal sem recorrer a golpes com um instrumento cortante. Ela afirma ter encontrado Ragnar por volta das 20h, ainda de focinheira, jogado no mato. Diz também que segue revisando as imagens por conta própria, sem descartar a presença de uma terceira pessoa, que não soube identificar.
A família afirma que as imagens estariam em posse da polícia e diz que pretende buscar responsabilização. “A gente só quer justiça pelo Ragnar”, resume a tutora. Até agora, o caso é sustentado pelo relato da moradora e pelas imagens que ela afirma possuir; a versão dos homens apontados se resume, por ora, ao boletim de ocorrência que registraram.






















