Era uma tarde de domingo quando gritos de socorro ecoaram da cela 03 do setor de triagem da Penitenciária Feminina de Criciúma, no Sul de Santa Catarina. Um policial penal que passava por perto ouviu os chamados e se aproximou da janela, sem imaginar a cena que encontraria do outro lado da grade.
Lá dentro, duas detentas estavam em pé, uma de cada lado da porta, frente a frente, como se esperassem a chegada das equipes. No chão, embaixo da janela, estava o corpo de uma terceira mulher, deitada de costas. Os pedidos de ajuda saíam sem urgência, sem expressão, sem o desespero que a situação exigiria.
A vítima era Gabriela Ribeiro Lebarbechon, de 24 anos, natural de Orleans. Conhecida no sistema prisional pela alcunha de “Bibi Perigosa”, ela foi encontrada sem vida na tarde de domingo, dia 21, mas o caso só foi divulgado oficialmente na segunda-feira, dia 22, pela Secretaria de Estado da Justiça e Reintegração Social.
Ao se aproximarem da cela, os policiais encontraram uma camiseta amarrada ao redor do pescoço da jovem, presa com dois nós. Um dos policiais desfez o tecido na esperança de que ela ainda apresentasse sinais de vida e iniciou a massagem cardíaca, sem sucesso. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência chegou em seguida e deu continuidade às tentativas de reanimação, mas o óbito acabou confirmado ainda no local.
Separadas em celas individuais, uma das presas começou a chorar e apontou a outra como autora do estrangulamento. Questionada, a suspeita negou o crime num primeiro momento, mas em seguida admitiu a autoria, alegando que a vítima a teria ameaçado.
Entradas e saídas da prisão
A morte encerrou uma trajetória marcada por entradas e saídas do sistema prisional. Gabriela respondia a uma execução penal na Comarca de Orleans por uma sequência de condenações, que incluíam furtos, dano, desacato, resistência, posse de droga e descumprimento de medida protetiva, conforme registros do processo.
Em regime aberto desde janeiro de 2025, ela foi presa em flagrante no mês seguinte por descumprir uma medida protetiva e não voltou mais à liberdade. Em fevereiro daquele ano, a Justiça revogou o benefício e determinou sua regressão ao regime semiaberto. Em abril de 2026, já cumprindo pena, foi novamente presa por outro crime, com o flagrante convertido em prisão preventiva.
A regressão definitiva ao semiaberto havia sido decretada menos de um mês antes da morte, no fim de maio de 2026, quando a Justiça reconheceu a prática de falta grave. Foi nesse regime, dentro da penitenciária de Criciúma, que Gabriela acabou morta.
Duas custodiadas foram conduzidas à Delegacia de Polícia Civil, onde foram adotados os procedimentos legais. A motivação e as circunstâncias completas do crime ainda são apuradas. A Polícia Científica ficará responsável pela emissão do laudo pericial definitivo, enquanto a Polícia Civil conduz a investigação. Em nota, a Secretaria informou que a pasta e a Polícia Penal de Santa Catarina seguem colaborando integralmente com as autoridades responsáveis pelo caso.























