Foi numa sessão solene, no Palácio Barriga Verde, em Florianópolis, que a história do médico Kleiton Rosa Borges deu mais um capítulo. Cercado por lideranças políticas, gestores públicos, pastores da sua igreja, familiares e amigos, ele recebeu da Assembleia Legislativa o Título de Cidadão Catarinense, a honraria que Santa Catarina reserva a quem nasceu em outro lugar mas escolheu o estado pra deixar sua marca.
Kleiton não nasceu aqui. Veio de Nova Brasilândia, no Mato Grosso, e construiu tudo o que é em Santa Catarina, especialmente em Palhoça, na Grande Florianópolis. Graduado em Medicina pela Universidade do Sul de Santa Catarina, a Unisul, é especialista em Medicina do Tráfego e pós-graduado em Gestão e Saúde Pública. Ao longo da carreira, atuou na assistência e na gestão da saúde pública, sempre com foco em qualificar o atendimento à população da região.
O nome dele, porém, ganhou peso pra além do consultório por um gesto que virou notícia. Foi o Dr. Kleiton quem se comoveu com a história de Carlos, morador de São José do Cerrito que enfrenta uma obesidade grave, com quase 250 quilos, e mesmo assim cuida da avó acamada. Depois de acompanhar o caso, o médico decidiu bancar do próprio bolso o tratamento completo do morador, com a tirzepatida, o princípio ativo do medicamento conhecido popularmente como “Monjauro”, por tempo indeterminado e sem cobrar nada.
A bandeira do “Monjauro gratuito”
Esse gesto o colocou no centro de uma pauta que mobiliza Santa Catarina: a luta pela distribuição gratuita das chamadas canetas emagrecedoras pelo SUS. O Dr. Kleiton é um dos idealizadores desse movimento, defensor de que o tratamento da obesidade grave chegue a quem não tem como pagar. É a mesma bandeira do Projeto de Lei 0766/2025, que tramita na Alesc e propõe a distribuição gratuita da tirzepatida pelo SUS para pacientes com obesidade grave e renda de até três salários mínimos.
O proponente da homenagem foi justamente o deputado Sérgio Motta, do Republicanos, autor daquele projeto de lei e uma das principais vozes dessa causa na Assembleia. Em seu discurso, Motta traçou a trajetória de vida de Kleiton e destacou o profissionalismo e o espírito comunitário do homenageado.
“Santa Catarina é feita por homens e mulheres que contribuem para tornar nosso estado melhor, e o Dr. Kleiton tem feito isso. Pessoas que deixam a sua marca não apenas pelo que conquistam, mas pelo bem que fazem aos outros, e ele é um desses exemplos. Tenho a honra de entregar o Título de Cidadão Catarinense a alguém que dedicou o seu trabalho, seu conhecimento e seu talento ao cuidado da nossa gente, do nosso povo catarinense.”
Emocionado, Kleiton agradeceu às pessoas e instituições que o acompanharam na caminhada e reconheceu o acolhimento que recebeu no estado.
“Agradeço a todos vocês por estarem aqui, aos pastores da nossa igreja, aos nossos amigos e ao deputado, por ter visto em mim alguém merecedor deste Título de Cidadão Catarinense. Agradeço a Deus por tudo o que está acontecendo, a cada trabalhador que atua conosco e a este estado, que abriu as portas para nós.”
Medicina, ensino e voluntariado
A trajetória do médico em Santa Catarina vai além da assistência direta. Atualmente, ele é sócio-administrador de um centro médico em Palhoça, reconhecido pelo atendimento à comunidade, e mantém atuação na área acadêmica como coordenador e professor do internato médico da Unisul, contribuindo para formar novos profissionais e fortalecer o ensino da medicina no estado.
Durante a pandemia de Covid-19, Kleiton integrou a coordenação médica das unidades de atendimento de Biguaçu e Santo Amaro da Imperatriz, ajudando a organizar os serviços de saúde em um dos períodos mais duros que o setor já enfrentou. Também desenvolve ações de promoção da saúde e prevenção de doenças, com palestras e orientações voltadas à população, com atenção especial à saúde do homem.
Foi dele, ainda, um dos projetos que mais o aproximaram da comunidade: o Saúde na Comunidade, iniciativa que mobilizou mais de 150 voluntários e ampliou o acesso da população a serviços essenciais de saúde. É essa soma, a medicina pública, o ensino, o voluntariado e o gesto que mudou a vida de um morador de São José do Cerrito, que a Assembleia Legislativa reconheceu ao tornar Kleiton Rosa Borges, o mato-grossense de Nova Brasilândia, um cidadão catarinense.
























