Uma frase dita em estúdio de podcast tomou proporção nacional e colocou um vereador de Itajaí, no Litoral Norte de Santa Catarina, no centro de um debate sobre educação. Ao afirmar que “estudar não deveria ser para todo mundo”, o parlamentar viu o trecho circular nas redes, provocando reações que vão da indignação à defesa do argumento.
A declaração foi dada por Victor Nascimento (PL) durante participação no podcast Entre 3, da Jovem Pan News Litoral. Na conversa, o vereador criticou o que chamou de “educacionismo”, termo que usou para descrever o que considera uma pressão social e política para empurrar jovens à universidade sem levar em conta aptidões individuais.
Tem pessoas que entram em uma universidade, que entram em uma faculdade, mas não detêm os pré-requisitos mínimos para desenvolver em alguma área ou outra.
Segundo ele, esse jovem poderia se tornar “um administrador frustrado” ganhando um salário regular de mercado quando “seria um grande mecânico, seria um grande pedreiro, seria um grande músico”.
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O parlamentar defendeu maior valorização da formação técnica e dos ofícios, e sustentou que a diferença salarial entre quem tem diploma e quem segue uma profissão manual seria menor do que se imagina. “Se tu for fazer uma análise de quanto ganha uma pessoa formada em alguma área qualquer, e quanto ganha um barbeiro, quanto ganha uma pessoa que traga um ofício de carreira, tu vai ver que os salários são muito parecidos”, disse.
Nascimento recorreu a referências históricas para embasar a fala, citando o Trivium e o modelo educacional da Grécia antiga, em que, segundo ele, se reconhecia que nem toda pessoa tinha vocação para as mesmas funções. Encerrou o raciocínio com uma analogia que acabou entre os trechos mais repercutidos: “Não posso julgar uma tartaruga pela sua capacidade de subir em árvore”.
Ao longo da entrevista, Nascimento afirmou que o sistema educacional atual incentiva o ingresso na universidade sem considerar as aptidões de cada estudante, e defendeu que profissões como mecânico, pedreiro e músico recebam maior reconhecimento. Para o vereador, o modelo de ensino deveria identificar e desenvolver diferentes talentos, em vez de tratar o diploma como único caminho de ascensão.
O episódio se soma a uma série de falas de agentes públicos que ganham alcance nacional a partir de cortes de entrevistas. Até a publicação desta reportagem, o debate seguia repercutindo dentro e fora de Santa Catarina.

























