Um morador que prometeu caçar homens que estariam cometendo crimes sexuais contra mulheres na Praia da Galheta, em Florianópolis, foi denunciado por um vereador do PSOL após afirmar, em plena audiência na Câmara Municipal, fazer parte de uma “equipe especializada que vai exterminar todos eles”.
A declaração foi dada durante sessão que discutia o naturismo e a fiscalização do Monumento Natural Municipal da Galheta (MONA Galheta), na capital. Diante dos vereadores e na presença da Polícia Militar, o homem assumiu o microfone e afirmou integrar um grupo voltado contra pessoas que, segundo ele, praticam crimes e abusos contra mulheres e famílias no local. “Não daremos um passo pra trás”, disse.
Ao detalhar o que afirma presenciar na praia, o morador descreveu cenas de pessoas se escondendo na mata, abusadores assediando uma jovem que vendia cangas e o que chamou de “punheteiro tarado” que diria perseguir há anos. Para ele, a saída é responsabilizar quem comete o crime, e não apenas conter pontualmente os flagrantes.
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Reação na Câmara
A fala foi imediatamente contestada por um vereador, que pediu questão de ordem e exigiu que o participante confirmasse, com tudo registrado em ata, se realmente afirmava integrar um “grupo de extermínio”. “Não se resolve crime com outros crimes, e nós estamos na presença da Polícia Militar”, afirmou o parlamentar durante a sessão, determinando que as palavras do homem fossem incluídas no registro oficial.
A declaração ocorreu no mesmo dia em que um morador da região leste da ilha entregou aos vereadores um abaixo-assinado com cerca de 800 assinaturas, pedindo fiscalização, segurança e a proibição do naturismo e do nudismo na Galheta. O documento foi repassado a um dos parlamentares que acompanham a pauta.
O impasse na Galheta
A Galheta é a única praia de Florianópolis historicamente associada ao naturismo e há tempos vive um impasse. O Tribunal de Justiça de Santa Catarina chegou a analisar habeas corpus sobre a nudez no local, e na Câmara tramita projeto de lei que prevê a prática apenas na faixa de areia e no mar, vedada nas trilhas, costões e áreas de vegetação. A região é apontada por moradores e pela própria Prefeitura, em documentos oficiais, como ponto de problemas ligados à promiscuidade, ao uso de drogas e à extensão do naturismo para áreas de mata.
Próximos passos
Após a sessão, o vereador do PSOL voltou ao caso nas redes sociais. Classificou a declaração como tentativa de intimidação e formação de milícia, afirmou que sofreu uma tentativa de intimidação dentro da Câmara e disse que vai acionar as autoridades competentes. “Não dá pra qualquer cidadão sair agredindo quem quiser”, escreveu.
Até a última atualização, não havia confirmação oficial sobre a abertura de investigação formal a partir da fala registrada em ata. O caso segue para análise das autoridades de segurança, e a discussão sobre a regulamentação do naturismo na Galheta continua em tramitação na Câmara Municipal de Florianópolis.

























