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EXCLUSIVO: Tijucas recebe a licença final dos molhes e quer virar a nova potência do litoral de SC

Conforme o prefeito Maickon Sgrott (PL), o IMA confirmou a emissão da Licença Ambiental de Instalação dos molhes e da dragagem da Boca da Barra, última etapa antes da obra. A entrega oficial será no dia 1º de julho, ao lado do pacote de obras viabilizado com recursos do Governo do Estado.

EXCLUSIVO: Tijucas recebe a licença final dos molhes e quer virar a nova potência do litoral de SC
Foto: Reprodução
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Tijucas vive nesta semana o momento mais aguardado da sua história recente. O Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA) confirmou a emissão da Licença Ambiental de Instalação (LAI) para a construção dos molhes e a dragagem da foz do Rio Tijucas, a chamada Boca da Barra, última autorização exigida antes do início efetivo da obra apontada pela gestão municipal como a maior intervenção estruturante já feita na cidade. A entrega oficial do documento está marcada para o dia 1º de julho, às 9h, no Anfiteatro Leda Regina, em um evento que vai reunir o conjunto de obras viabilizadas com recursos do Governo do Estado e do município.

Conforme o prefeito Maickon Sgrott (PL), que informou ao Jornal Razão sobre a confirmação do IMA, a obra será executada utilizando parte do empréstimo já aprovado pela Prefeitura e não vai comprometer as demais frentes em andamento no município, tocadas com recursos próprios e com convênios firmados junto aos governos estadual e federal. A licença que chega agora encerra um ciclo de mais de duas décadas de espera, em que o assoreamento da foz transformou o sonho dos molhes em uma espécie de lenda urbana entre os moradores.

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Vista aérea da foz do Rio Tijucas com bancos de areia e forte assoreamento na Boca da Barra

O projeto, elaborado pela Hidrotopo Consultoria e Projetos, prevê investimento estimado em R$ 55,35 milhões e contempla a construção de dois molhes de enrocamento, o Norte com 481 metros e o Sul com 342 metros, somando 823 metros de estrutura nas duas margens da desembocadura. A dragagem vai remover mais de 112 mil metros cúbicos de sedimentos acumulados ao longo de mais de vinte anos sem intervenção, abrindo um canal de navegação com profundidades que variam de 2,50 a 6 metros. A Marinha do Brasil já havia autorizado a construção, e a Licença Ambiental Prévia foi concedida pelo próprio IMA em setembro de 2025.

Figura técnica da Hidrotopo mostra a localização dos molhes Norte e Sul sobre imagem de satélite da foz do Rio Tijucas
Planta técnica do projeto dos molhes Norte e Sul e do canal de acesso na foz do Rio Tijucas

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Capa do vídeo do YouTube

O espelho de Itajaí

Para entender o tamanho do que está em jogo, basta olhar para a vizinha Itajaí. As duas cidades nasceram às margens de rios que desaguam no Atlântico, com colonização açoriana e vocação pesqueira, e idades muito próximas. A diferença é que Itajaí investiu no rio e no porto, construiu molhes, dragou canais, atraiu estaleiros e se tornou uma das maiores potências econômicas de Santa Catarina. Tijucas, sem um rio navegável e sem praia funcional, ficou à margem desse ciclo. Os molhes representam justamente a chance de reescrever essa história e devolver o mar à cidade.

O potencial econômico é o coração do projeto. Com a desembocadura estabilizada, abre-se caminho para o desenvolvimento da chamada Economia do Mar, com a possível atração de estaleiros, marinas e empreendimentos de turismo náutico, gerando empregos qualificados e movimentando toda a cadeia ligada à navegação e à pesca. O setor imobiliário regional já acompanha o avanço com expectativa de valorização dos terrenos da orla. Para os pescadores que trabalham na Boca da Barra, a obra significa segurança na entrada e na saída das embarcações, hoje comprometida pelo acúmulo de areia. O governador Jorginho Mello já confirmou publicamente o apoio do Governo do Estado à obra.

A história de Tijucas com as suas águas é justamente o fio condutor do documentário “Tijucas 166 anos: entre o Rio e o Mar, o despertar de uma potência náutica”, produzido pelo Jornal Razão e lançado pela Prefeitura na festa de aniversário da cidade. A obra percorre a trajetória do município dos primeiros habitantes às margens do rio até os projetos da Economia do Mar, e ajuda a entender por que os molhes são tratados como o reencontro de Tijucas com o seu destino.

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Uma cidade em obras

A licença dos molhes chega em meio a um momento de intensa movimentação de obras em Tijucas. Ainda nesta sexta-feira, a Prefeitura realiza a entrega da revitalização da Praça do Alamandas, no bairro Areias, um espaço de 4,4 mil metros quadrados que recebeu quadras esportivas de areia, playground, calçadas acessíveis, nova iluminação e tratamento paisagístico. A praça integra o pacote de obras de 2026, anunciado pelo prefeito durante a festa de aniversário de 166 anos da cidade, que reúne mais de R$ 32 milhões em intervenções nas áreas de educação, saúde, pavimentação, esporte e lazer, todas com ordem de serviço assinada.

Entre as obras estruturantes que deverão ocorrer em paralelo está a Ponte Leopoldo Barentin, cujo nome foi aprovado por lei na Câmara Municipal em homenagem ao jornalista e historiador que fundou o Jornal Razão e dedicou a vida a registrar a memória da cidade. A nova ponte será erguida sobre o Rio Tijucas, no eixo da Avenida Hercílio Luz, ligando o Centro à região sul do rio. Somam-se a ela o novo ginásio multiuso e a construção das três interseções na SC-410, em parceria com o Governo do Estado. Na educação, segue em construção a primeira escola de tempo integral do município, no Loteamento Bosque da Mata, no bairro Areias, orçada em R$ 11,65 milhões, além da reconstrução da Escola Ondina Maria Dias. Na saúde, a Prefeitura ergue a primeira Unidade Básica de Saúde Tipo IV da cidade, no bairro Joáia, e segue com a reforma e ampliação de unidades em Campo Novo e no Timbé.

Aliada contra o El Niño

A obra ganha ainda mais peso diante do cenário climático. O fenômeno El Niño foi confirmado pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), e o Governo de Santa Catarina, por meio do governador Jorginho Mello, já decretou estado de alerta climático no estado. Segundo a Defesa Civil, há alta probabilidade de o fenômeno atingir intensidade forte a muito forte entre a primavera e o verão de 2026 e 2027, com chuvas acima da média no Sul do Brasil, podendo se estender até o outono de 2027. No último grande episódio, entre 2023 e 2024, o estado enfrentou chuvas intensas que deixaram um rastro de destruição em diversas regiões.

É nesse ponto que a dragagem da foz do Rio Tijucas se torna estratégica. Ao remover mais de 112 mil metros cúbicos de sedimentos e reabrir o canal de navegação, a intervenção também amplia a vazão do rio e favorece o escoamento da água até o mar, justamente o gargalo que agrava as enchentes que historicamente castigam a cidade. Somada às obras de drenagem urbana em andamento no município, a desobstrução da Boca da Barra é apontada como peça essencial para que Tijucas enfrente os períodos de chuva intensa com mais resiliência e reduza o impacto dos temporais sobre moradores e comerciantes.

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Quando concluídos, os molhes e a dragagem prometem estabilizar a desembocadura do rio, reduzir os riscos de enchentes que historicamente atingem moradores e comerciantes, melhorar a navegabilidade e abrir um novo ciclo de desenvolvimento econômico e urbano em Tijucas. Depois de gerações olhando para o rio assoreado como um problema, a cidade volta a enxergar nas águas a porta de entrada para o seu futuro.

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