O prefeito de Pouso Redondo, no Alto Vale do Itajaí, Rafael Tambozi (PL), publicou neste sábado (3) um vídeo gravado num posto de combustíveis na Alemanha, onde passa férias, em que declara apoio ao senador Esperidião Amin (PP) e deixa de fora Carlos Bolsonaro, candidato do próprio partido ao Senado. Na mesma gravação, ele avisa que não vai votar neste domingo (4) e desafia a sigla: “Se a gente tá num partido, não pode ter opinião, então me expulsa do PL, eu saio do PL, mas a gente tem que ter opinião”.
“Eu não vou votar amanhã, vou ficar aqui”, diz o prefeito, antes de listar os candidatos que apoia. Para presidente, o nome é Flávio Bolsonaro (PL): “Não tem outra opção”. Para governador, Jorginho Mello (PL), que segundo ele “tá fazendo um baita trabalho”.
A divergência aparece no Senado, em que Santa Catarina elege dois nomes neste ano. O PL lançou chapa pura, com Carlos Bolsonaro e a deputada federal Carol de Toni. Tambozi fica com Carol, que chama de “liderança natural”, e troca Carlos por Amin, que disputa a reeleição na coligação de João Rodrigues (PSD), adversário de Jorginho. “O meu voto é do Amin, se eu fosse votar, e eu apoio o Amin, porque o Brasil tá uma vergonha”, afirma.
“Começa com mais humildade”
O recado a Carlos é direto. “O Carlos Bolsonaro quer morar em Santa Catarina, tudo certo, mas começa com mais humildade”, diz o prefeito. “Vai de candidato a vereador primeiro, que nem o teu irmão foi lá em Balneário”, continua, em referência a Jair Renan Bolsonaro, eleito vereador em Balneário Camboriú em 2024. E completa: “Não chega peitando já o Amin, querendo cantar de galo aqui no estado”. Carlos era vereador no Rio de Janeiro quando foi indicado pelo pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, para disputar o Senado por Santa Catarina.

Para justificar a escolha, Tambozi recorre a um trocadilho: “Eu e tu, cara, a gente tá quase careca já de saber que o único careca que pode bater no careca do STF é o Amin, e ele tem capacidade pra isso”. Na frase seguinte, ele diz que está “falando do Xandão”, apelido do ministro Alexandre de Moraes.
O prefeito antecipa a cobrança que espera receber. “Ah, mas o PL tinha que tá fechado. PL é um partido”, diz, antes de desafiar a sigla a expulsá-lo. Para deputado federal, ele também sai do PL e apoia Júlio Garcia (PSD), presidente da Assembleia Legislativa: “Não é do PL também, mas apoio ele porque ele me ajudou”. Para deputado estadual, o apoio declarado é a Oscar Gutz (PL), de quem Tambozi foi vice-prefeito e a quem sucedeu no comando de Pouso Redondo.
“Cassam mais uma vez, que que vai mudar?”
No vídeo, Tambozi também fala do processo que quase lhe custou o mandato. “Querem cassar o mandato, a Justiça, né, já cassaram uma vez. Cassam mais uma vez, que que vai mudar?”, diz. Ele atribui a ação a um “ativismo ministerial” que teria tentado influenciar a eleição no município e ironiza que o promotor deveria assumir a prefeitura “pra ele ver como é que é bom”.
Em maio de 2025, a Justiça Eleitoral de primeira instância cassou os mandatos do prefeito e da vice por abuso de poder político e econômico e compra de votos na eleição de 2024, em ação movida pelo Ministério Público Eleitoral e pelo MDB local. Os dois recorreram e continuaram nos cargos. Em 9 de dezembro de 2025, o Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina (TRE-SC) reverteu a cassação, por entender que não ficou provada a finalidade eleitoral na entrega de materiais de construção a moradores depois da enchente de 2023.
A gravação, de pouco menos de seis minutos, abre com uma comparação de preços. O prefeito diz que paga 2,20 euros pelo litro da gasolina na Alemanha, o que pelas contas dele dá entre R$ 12 e R$ 14, e afirma que lá o governo “não engana o povo”, enquanto no Brasil haveria “interesse eleitoral” em segurar o preço até a votação. Ele encerra citando o feriado da Unidade Alemã, comemorado neste sábado, e pede união: “Depois da eleição, a vida continua, as famílias continuam”.
Não é a primeira vez que Tambozi bate de frente com o partido. Em novembro de 2025, quando a candidatura de Carlos ainda era articulada, ele gravou um vídeo para dizer que “o povo catarinense não é gado” e que apoiaria Carol de Toni e Amin. Na última semana, o prefeito em exercício de Itajaí, Fernando Pegorini (PL), também declarou voto em Amin e Carol de Toni.
Quem tem o título no Brasil e está no exterior no dia da votação precisa justificar a ausência. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a justificativa pode ser feita pelo aplicativo e-Título ou em até 30 dias depois do retorno ao país. Se houver segundo turno, ele será em 25 de outubro.
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