Um monumento permanente em homenagem aos 41 anos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) está sendo construído dentro do campus da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), na Trindade, em Florianópolis. A obra está sendo erguida no local onde ficava a antiga Concha Acústica da universidade, espaço que durante anos foi dedicado a apresentações artísticas e culturais abertas à comunidade.
Conforme informações divulgadas pela própria UFSC, o monumento faz parte do chamado Projeto Pontes de Esperança, uma parceria entre a universidade, a Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) e movimentos sociais populares, incluindo o próprio MST.
Como surgiu o projeto
O planejamento da obra teve início no segundo semestre de 2025, com a realização de oficinas artístico-pedagógicas que reuniram professores universitários, professores da rede pública, estudantes, servidores e integrantes de movimentos sociais do campo e da cidade. O objetivo declarado foi construir coletivamente um monumento artístico no marco dos 41 anos do MST em Santa Catarina.
Em fevereiro de 2026, o grupo se reuniu na sede do Núcleo de Integração Multicultural Popular Esportivo (Nimpe) para definir o local da instalação. Segundo a UFSC, houve consenso de que a obra deveria ser erguida no espaço da antiga Concha Acústica, na Praça da Cidadania do campus da Trindade, em frente ao prédio da Reitoria.
A programação de inauguração ocorreu entre os dias 22 e 24 de maio, com oficinas de cerâmica, serigrafia, saraus, cineclubes e um ato celebrativo no domingo. A construção, no entanto, segue em andamento.
Reação contra
A decisão de erguer o monumento gerou forte reação de setores empresariais e políticos de Santa Catarina. A Associação Empresarial de Florianópolis (ACIF) divulgou nota pública em que classifica a homenagem como inadequada.
“Consideramos inadequado que uma universidade pública, mantida pelos impostos pagos por toda a população, destine espaço permanente para homenagear um movimento que, ao longo de sua trajetória, esteve envolvido em intensos debates políticos e ideológicos e que não representa o conjunto da sociedade brasileira”
A nota da ACIF foi publicada na segunda-feira, 1º de junho.
Político lança abaixo-assinado
O caso também repercutiu nas redes sociais. O político catarinense Bruno Souza gravou um vídeo no próprio campus da UFSC em que critica duramente a iniciativa e pede mobilização popular contra a construção do monumento.
“A Universidade Federal era para ser um espaço dedicado exclusivamente ao ensino, ao aprendizado, à pesquisa. Mas não, ao invés disso, ficam criando monumentos para fazer a cabeça de estudante revolucionário de corredor”
Bruno Souza também lançou um abaixo-assinado contra a construção do monumento. “Santa Catarina não gosta de criminosos. Santa Catarina acorda cedo e trabalha, por isso nós podemos impedir isso. Assine o abaixo-assinado contra esse absurdo”, afirmou no vídeo.
O abaixo-assinado pode ser acessado pelo link: assina.org/abaixoassinadocontraahomenagemaomstnaufsc.
Alunos também reagem
A reação contra o monumento não se limita a entidades e políticos. Parte dos próprios alunos da UFSC também se posicionou contra a homenagem, engrossando o abaixo-assinado e questionando o uso do espaço universitário para fins que consideram ideológicos.
A polêmica reacende o debate sobre o papel das universidades públicas federais no Brasil. Críticos argumentam que a homenagem a um movimento político dentro de uma instituição de ensino mantida com recursos públicos configura uso indevido do espaço para fins ideológicos. Defensores da iniciativa sustentam que a universidade deve ser um espaço de pluralidade e que o monumento faz parte de um projeto artístico-pedagógico.
Até a publicação desta reportagem, a reitoria da UFSC não havia se pronunciado especificamente sobre as críticas. O abaixo-assinado segue em circulação e o caso continua gerando posicionamentos em Santa Catarina.
























