O microfone ainda estava ligado quando a conversa saiu do controle. Durante a visita às obras de recuperação da Barragem Norte, em José Boiteux, no Vale do Itajaí, o governador Jorginho Mello (PL) foi cobrado por uma cacique da Terra Indígena Laklãnõ Xokleng e respondeu com um palavrão que agora repercute nas redes sociais. “A senhora não quer ir à merda?”, disparou o governador, em meio ao bate-boca registrado em vídeo.
A liderança indígena reagiu na hora. “Eu sou cacique, respeita eu! Essa barragem está dentro da terra indígena!”, rebateu ela, cobrando respeito e lembrando que a estrutura fica dentro do território tradicional. Jorginho não recuou e voltou a ofender: “Você vai à merda!”.
O episódio aconteceu durante a fiscalização das obras na maior barragem de Santa Catarina, a principal estrutura de contenção de cheias do Vale do Itajaí. A visita, que deveria mostrar o avanço de uma reforma histórica, acabou marcada pela troca de ofensas entre o chefe do Executivo estadual e uma representante da comunidade tradicional impactada pela barragem.
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Momentos antes do desentendimento, em entrevista, o governador havia destacado que o Estado executa a recuperação da estrutura, incluindo a substituição das comportas, a reforma da casa de máquinas e outras melhorias. Segundo ele, as intervenções cumprem os acordos firmados com as comunidades indígenas e seguem os critérios técnicos da Defesa Civil.
Jorginho afirmou ainda que o governo executa obras e compensações previstas para os indígenas, como a construção de moradias e outras ações acordadas, e classificou a situação como estando “sob controle”. Foi ao final da entrevista que a cacique interrompeu a fala do governador para cobrar respeito e reforçar que a barragem está localizada dentro da Terra Indígena Laklãnõ Xokleng, dando início ao bate-boca.
A Barragem Norte, concluída em 1992, é a maior estrutura de contenção de cheias do estado, com capacidade para armazenar 357 milhões de metros cúbicos de água, mais do que a soma dos reservatórios de Taió e Ituporanga. A reforma, orçada em R$ 9,9 milhões, começou após mais de duas décadas de espera e busca preparar a barragem para o aumento das chuvas previsto para os próximos meses. Em 2023, a estrutura verteu pela primeira vez na história.
A Terra Indígena Ibirama Laklãnõ, onde vivem os povos Xokleng, Guarani e Kaingang, foi diretamente impactada pela construção do reservatório décadas atrás. Após anos de impasse judicial e negociações, o Governo do Estado avançou em um conjunto de compensações que inclui a construção de 46 unidades habitacionais em José Boiteux, Vítor Meireles e Itaiópolis, além de igrejas e casas pastorais. Uma segunda fase prevê mais 45 moradias, chegando a 91 no total.
Nas redes sociais, a reação se dividiu entre quem defendeu a postura do governador e quem classificou a fala como inadmissível para um chefe de Executivo. A repercussão do vídeo segue crescendo.

























