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Jorginho manda cacique indígena “à merda” durante protesto na maior barragem de SC

Governador Jorginho Mello trocou ofensas com uma cacique da Terra Indígena Laklãnõ Xokleng durante fiscalização das obras da Barragem Norte, em José Boiteux. Vídeo do bate-boca repercute nas redes.

Jorginho manda cacique indígena “à merda” durante protesto na maior barragem de SC
Foto: Reprodução
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O microfone ainda estava ligado quando a conversa saiu do controle. Durante a visita às obras de recuperação da Barragem Norte, em José Boiteux, no Vale do Itajaí, o governador Jorginho Mello (PL) foi cobrado por uma cacique da Terra Indígena Laklãnõ Xokleng e respondeu com um palavrão que agora repercute nas redes sociais. “A senhora não quer ir à merda?”, disparou o governador, em meio ao bate-boca registrado em vídeo.

A liderança indígena reagiu na hora. “Eu sou cacique, respeita eu! Essa barragem está dentro da terra indígena!”, rebateu ela, cobrando respeito e lembrando que a estrutura fica dentro do território tradicional. Jorginho não recuou e voltou a ofender: “Você vai à merda!”.

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O episódio aconteceu durante a fiscalização das obras na maior barragem de Santa Catarina, a principal estrutura de contenção de cheias do Vale do Itajaí. A visita, que deveria mostrar o avanço de uma reforma histórica, acabou marcada pela troca de ofensas entre o chefe do Executivo estadual e uma representante da comunidade tradicional impactada pela barragem.

ASSISTA AO VÍDEO

Capa do vídeo do YouTube

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Momentos antes do desentendimento, em entrevista, o governador havia destacado que o Estado executa a recuperação da estrutura, incluindo a substituição das comportas, a reforma da casa de máquinas e outras melhorias. Segundo ele, as intervenções cumprem os acordos firmados com as comunidades indígenas e seguem os critérios técnicos da Defesa Civil.

Jorginho afirmou ainda que o governo executa obras e compensações previstas para os indígenas, como a construção de moradias e outras ações acordadas, e classificou a situação como estando “sob controle”. Foi ao final da entrevista que a cacique interrompeu a fala do governador para cobrar respeito e reforçar que a barragem está localizada dentro da Terra Indígena Laklãnõ Xokleng, dando início ao bate-boca.

A Barragem Norte, concluída em 1992, é a maior estrutura de contenção de cheias do estado, com capacidade para armazenar 357 milhões de metros cúbicos de água, mais do que a soma dos reservatórios de Taió e Ituporanga. A reforma, orçada em R$ 9,9 milhões, começou após mais de duas décadas de espera e busca preparar a barragem para o aumento das chuvas previsto para os próximos meses. Em 2023, a estrutura verteu pela primeira vez na história.

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A Terra Indígena Ibirama Laklãnõ, onde vivem os povos Xokleng, Guarani e Kaingang, foi diretamente impactada pela construção do reservatório décadas atrás. Após anos de impasse judicial e negociações, o Governo do Estado avançou em um conjunto de compensações que inclui a construção de 46 unidades habitacionais em José Boiteux, Vítor Meireles e Itaiópolis, além de igrejas e casas pastorais. Uma segunda fase prevê mais 45 moradias, chegando a 91 no total.

Nas redes sociais, a reação se dividiu entre quem defendeu a postura do governador e quem classificou a fala como inadmissível para um chefe de Executivo. A repercussão do vídeo segue crescendo.

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