João Rodrigues (PSD), pré-candidato ao Governo de Santa Catarina, criticou o senador Flávio Bolsonaro (PL) e defendeu que a oposição precisa de um projeto de país, e não de um arranjo de família, para a disputa presidencial de 2026. A cobrança, feita em entrevista ao portal Informe Blumenau, partiu da relação do senador com o empresário Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, preso sob suspeita de fraude financeira.
Ex-prefeito de Chapecó e nome do PSD na disputa estadual, Rodrigues é identificado com o campo conservador e amigo pessoal de Jair Messias Bolsonaro.
“Seria muita hipocrisia minha querer dourar a pílula. A gente lutou por um país melhor, nós brigamos contra a roubalheira, contra a corrupção”, afirmou o pré-candidato, ao defender que o discurso anticorrupção precisa valer também dentro do próprio grupo.
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Para reforçar a crítica, Rodrigues recorreu a um ditado popular. “Tem um velho ditado que lá em Chapecó se diz assim: vaca não anda com porco”, declarou. Segundo o pré-candidato, quem se apresenta como adversário da corrupção não pode manter proximidade com alguém que é alvo de investigação.
O caso Vorcaro
As declarações têm como pano de fundo o episódio que expôs a proximidade entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. O empresário foi alvo de operação da Polícia Federal em novembro de 2025 e acabou preso no início de março de 2026, sob suspeita de fraude e de tentativa de suborno a um ex-diretor do Banco Central. O Banco Master, do qual era o principal acionista, foi liquidado.
Mensagens reveladas pela imprensa apontam que o senador e o banqueiro negociaram recursos para financiar uma cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, prevista para o período eleitoral. De acordo com as reportagens, cerca de R$ 61 milhões teriam sido repassados para a produção do filme no início de 2025.
Na entrevista, Rodrigues afirmou que a proximidade compromete a coerência do senador. “Como é que tu pede a prisão de quem te faz favor?”, questionou, ao lembrar que Flávio se apresenta como crítico do sistema e deveria, na avaliação dele, ser o primeiro a cobrar a prisão de Vorcaro no caso.
O pré-candidato citou ainda a visita feita pelo senador a Vorcaro depois que o empresário deixou a prisão e passou a usar tornozeleira eletrônica. Segundo Rodrigues, Flávio teria dito que foi ao encontro para encerrar a relação, versão que, conforme o pré-candidato, não coincide com o relato apresentado por dirigentes do próprio PL.
Projeto de país
Diante do cenário, Rodrigues avalia que uma candidatura presidencial com Flávio Bolsonaro à frente perde força. “Se fosse o Flávio, poderia até ser, mas diante do cenário eu não sei se tem viabilidade eleitoral”, ponderou.
Para o pré-candidato, porém, o problema vai além de um nome. Rodrigues classificou como “vaidade” a tentativa de manter a candidatura dentro da mesma família e defendeu que a oposição precisa de um projeto voltado ao país, e não de um arranjo familiar. “Se não sou eu, é o meu irmão, se não for meu irmão é minha madrasta, se não for minha madrasta é meu tio, é meu sobrinho”, afirmou, ao pregar “uma aliança menos partido e mais Brasil”.
Flávio Bolsonaro nega irregularidades. Em manifestações públicas, o senador admitiu ter pedido recursos ao empresário para a produção do filme, mas afirmou não ter recebido vantagem indevida. A produtora responsável pela cinebiografia também negou ter recebido valores ligados ao Banco Master.
O caso do Banco Master segue sob investigação. Daniel Vorcaro permanece preso, e desdobramentos do episódio são acompanhados pelo Supremo Tribunal Federal. A definição das candidaturas para a eleição de 2026 deve ocorrer ao longo deste ano.






















