O Governo de Santa Catarina anunciou que vai ingressar com uma representação na Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em razão de uma fala feita durante visita a Itajaí, nesta sexta-feira (26), que a gestão estadual classificou como ofensiva aos catarinenses. Segundo o governo, o presidente teria insinuado que o povo do estado é racista e se considera superior a moradores de outras regiões.
Em um trecho do discurso, no evento de retomada da indústria naval, Lula afirmou: “Vocês não podem permitir que prevaleça em Santa Catarina o racismo. Todo mundo tem que ser tratado igual. Não tem essa de um cara que é branco ser melhor do que o que é negro, ou o cara que é nordestino ser pior do que o do Sul do país. Que história é essa? A gente não aceita. Hitler tentou fazer isso e acabou do jeito que acabou.”
Para o governador Jorginho Mello (PL), a declaração ultrapassou os limites do debate político. “Uma coisa é o presidente me criticar ou vir a Santa Catarina dizer coisas que não condizem com a realidade. Isso faz parte do debate político e nós respondemos com fatos. Outra coisa, muito diferente, é chamar o povo catarinense de racista. Isso é criminoso, preconceituoso, e ele precisa responder por isso”, afirmou.
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O governador citou dados de migração para rebater a fala do presidente. Segundo ele, Santa Catarina é o estado que mais recebeu novos moradores de outras regiões do país nos últimos anos. “Só o fato de Santa Catarina ser o estado que mais acolhe brasileiros de outras regiões já desmonta essa fala. Se aqui fosse esse lugar de preconceito que ele tentou pintar, por que tanta gente escolheria Santa Catarina para viver, trabalhar e criar seus filhos?”, questionou.
A fala sobre racismo ocorreu na mesma agenda em que Lula criticou a ausência do governador em eventos do governo federal e afirmou que a gestão estadual recusou uma parceria de R$ 24 bilhões em investimentos — o que Jorginho nega, dizendo que a proposta era de concessão para cobrança de pedágio. O governador é aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e declarou, em maio, apoio à pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência.
Não é a primeira vez que falas sobre raça envolvendo a política catarinense chegam ao Ministério Público. Em 2025, o MPF arquivou uma denúncia de racismo contra o próprio Jorginho Mello, apresentada após declaração dele sobre a cidade de Pomerode; à época, o órgão entendeu que não houve intenção discriminatória. Procurada, a articulação do governo federal não havia se manifestado sobre o anúncio da representação até a publicação desta reportagem.

























