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“Não transforme uma tribuna pública em palco de vingança pessoal”, diz diretor de trânsito após confusão em SC

Em vídeo, o diretor da Ortravi, Carlos Yago, admite que errou ao reagir na Câmara de Videira, mas acusa o vereador Sargento Manchein de perseguição e diz que a rifa feita para o filho foi apurada e arquivada pelo Ministério Público

‘Não transforme uma tribuna pública em palco de vingança pessoal’, diz diretor de trânsito após confusão em SC
Foto: Reprodução
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O diretor da Ortravi, o órgão de trânsito de Videira, Carlos Yago Machado, publicou nesta quarta-feira (30) um vídeo de quase nove minutos em que admite ter errado ao reagir aos gritos na sessão da Câmara de Vereadores, mas acusa o vereador Pedro Gilberto Manchein, o Sargento Manchein (MDB), de perseguição e de usar a tribuna para atacar a família dele.

“Eu errei na minha reação, reconheço isso publicamente, deveria ter mantido o controle”, diz Yago logo no começo. “Agora, assumir meu erro não me obriga a aceitar as mentiras, muito menos assistir calado a exposição da minha esposa, do meu filho.”

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A gravação, chamada de “nota de esclarecimento”, saiu no perfil da Vespinha Fight Team, academia de jiu-jitsu da qual Yago se apresenta como dono. Faixa preta, ele conta que, para alguns, é o Carlos Vespinha.

O vídeo responde ao que aconteceu na terça-feira (29). Na 30ª sessão ordinária, Manchein usou a tribuna para dar o que chamou de “suposição”: uma pessoa com um filho quase cego faria uma rifa para pagar uma cirurgia, usaria o dinheiro para viajar e seguiria trabalhando na prefeitura. O vereador não citou nomes. Na plateia, Yago entendeu a fala como um ataque ao próprio filho, reagiu aos gritos e foi contido por seguranças. A sessão foi encerrada.

Carlos Yago, diretor da Ortravi, no vídeo publicado nesta quarta-feira (30) (Reprodução/Redes sociais)

Segundo o diretor, a briga começou como “uma rixa política, lá atrás, três eleições atrás” e ganhou “um contorno de perseguição, um abuso de poder e um uso da máquina pública para vingança pessoal”. Ele diz que o vereador usa a tribuna “pra divulgar fatos inverídicos” e que chegou a chamá-lo de “estuprador” e “mau-caráter”, “como se pudesse anunciar uma sentença diante das câmeras e dispensar provas, processos e julgamento”. “Eu rejeito essas acusações. Eu vou enfrentá-las pelos meios legais.”

Boa parte do vídeo é sobre o filho. Yago conta que a criança enfrenta “uma realidade de saúde que mudou completamente a vida da nossa família”, com dias de UTI e tratamento intenso, e que pessoas generosas ajudaram a família, inclusive com uma rifa. Segundo ele, a rifa “foi devidamente apurada no Ministério Público” e “foi arquivada depois da apresentação de documentos que comprovaram a aplicação dos recursos arrecadados no tratamento”. No fim do vídeo, ele diz que deixa a decisão e o despacho de arquivamento do Ministério Público e cita os vídeos do sorteio da rifa.

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“Para mim, é profundamente mesquinho transformar a solidariedade do meu filho, que recebeu, em instrumento de ataque contra mim”, afirma.

Yago também cita um episódio com a esposa. Segundo ele, em outra sessão da Câmara, Manchein se referiu a ela como “a esposa de um desafeto” e pediu que ela fosse revistada. O pedido foi acolhido e a revista foi feita com a sessão transmitida ao vivo. O diretor chama o episódio de “revista vexatória” e diz que o caso foi levado à Justiça.

No vídeo, ele lembra ainda uma decisão judicial contra o vereador. Na ação penal sobre a atuação de Manchein à frente da Diretoria de Mobilidade Urbana, cargo que ele ocupou por cerca de quatro meses em 2025, a Justiça impôs medidas cautelares que o proibiram de ir à sede da Ortravi e de ter contato com Yago e outros servidores. Segundo o diretor, a decisão registrou “indícios de interferência nas funções dos agentes públicos e de represálias contra quem não atendesse às suas determinações”. As medidas são cautelares e não significam condenação.

“Pode fiscalizar meu trabalho, pode questionar as minhas decisões, pode cobrar os resultados. Eu estou aqui para responder, mas não usar o meu filho para me ferir”, diz Yago. “Não constranja a minha esposa para me atingir. Não transforme uma tribuna pública em palco de vingança pessoal.”

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“Hoje eu sou o Yago, amanhã pode ser qualquer um, outro servidor, outra servidora, outra mulher, outra família”, completa. No fim, ele repete que assume a responsabilidade pela reação na Câmara e diz que vai cobrar, pelos meios legais, que “cada ataque e cada abuso também sejam examinados”.

Os mesmos pontos já estavam na nota que a defesa de Yago, assinada pelo advogado Júlio César Oltramari, divulgou depois da confusão. O Jornal Razão segue aberto à manifestação do vereador Sargento Manchein.

Leia também: ‘Falou do meu filho, você vai pagar’: diretor de trânsito é contido após fala de vereador sobre rifa em SC

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