Para entender por que a recepção ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em Itajaí nesta sexta-feira (26) registrou adesão tão baixa, com estrutura montada para 700 pessoas ocupada por pouco mais de uma dezena, a reportagem do Jornal Razão foi ao Centro da cidade conversar com moradores comuns. A pergunta era simples: “você sabe o que aconteceu hoje em Itajaí?”. As respostas, em sua maioria, ajudaram a explicar o esvaziamento das duas agendas presidenciais.
“Não me agrada”
A primeira constatação foi a do desconhecimento. Vários moradores ouvidos pela reportagem não sabiam, em um primeiro momento, que o presidente da República estava na cidade. O analista de logística Brizdon precisou de um lembrete antes de associar a movimentação à visita oficial. Depois, foi direto sobre o que pensa.
Não me conforta. Sinceramente, não me agrada.
Questionado se receberia Lula em casa, respondeu sem rodeios.
Nunca, jamais.
Brizdon ainda comentou o número baixo de apoiadores presentes no estaleiro Detroit Brasil, em comparação com a estrutura montada para 700 pessoas.
Esse é o reflexo do trabalho dele. Eu acho que Itajaí não compactua com o tipo de trabalho que ele vem apresentando. Acho que a cidade de Itajaí merece mais, e a gente não compactua com isso.
“Não mudou nada”
A confeiteira Viviane, abordada pouco depois, também demorou a se dar conta de que se tratava da agenda presidencial. Quando informada da visita, foi sucinta.
Para mim, não mudou nada.
Sobre o esvaziamento na recepção, Viviane também atribuiu o resultado à avaliação do governo federal.
Eu acho que é conforme o governo que ele vem fazendo. É o espelho do governo que ele está fazendo.
“Uma boa visita”
Já o advogado Felipe Serrão notou a movimentação pelo trânsito alterado e teve outra leitura. Foi o único, entre os ouvidos pela reportagem no Centro, a defender abertamente a visita.
Acho uma boa visita. O presidente tem feito um bom trabalho para o país e, para Santa Catarina, ele tem muito a agregar.
Sobre o dado do esvaziamento, o advogado preferiu não opinar de imediato.
Eu confesso que eu não sei a fonte do dado, mas se o dado for real, acontece. O que o presidente precisa, qualquer presidente, não o atual, é apoio nas urnas. Mas se o dado for real, como eu falei, acontece.
“Deus me livre”
Em outra ponta, uma trabalhadora em serviços gerais nem sabia que o presidente estava em Itajaí. Quando informada, a reação foi imediata.
Lula? Deus me livre!
Sobre a estrutura montada para 700 pessoas, ocupada por cerca de 10, foi enfática e dispensou explicações.
Amei. Amei.
“Perda de popularidade”
A reportagem ainda conversou com o estudante Eduardo, que também só associou a movimentação ao presidente depois de o repórter explicar.
Teve um barco, um navio, batizado de navio.
Quando informado de que o presidente estava em Itajaí, comentou.
Ele tava aqui hoje? Que bom pra ele.
Eduardo, mesmo se declarando contrário ao governo, ponderou que a visita pode ser positiva para a cidade.
É importante para estabelecer relação com a cidade. Por mais que o nosso governador Jorginho não seja favorável ao PT, é importante para a gente estabelecer as relações com o governo federal para a gente poder melhorar a condição do nosso Estado. Mas eu não sou a favor do Lula de modo algum. Não quero estar perto dele. Mas se ele veio pra cá, é importante pra cidade.
Sobre a baixa adesão à recepção, o estudante deu uma das leituras mais analíticas do dia.
Eu acho que demonstra a perda de popularidade do presidente, tanto na região quanto no país como um todo. Por mais que as pesquisas tenham apontado nele, depois da questão com o Trump, que ele melhorou um pouquinho nas pesquisas de aprovação, eu acho que o descontentamento do público com ele tem crescido muito recentemente.
O retrato do Centro
A coleta de falas no Centro de Itajaí oferece pistas concretas para uma das perguntas centrais do dia: por que a recepção ao presidente teve adesão tão pequena? As respostas variam, mas se concentram em alguns pontos comuns. A maioria dos moradores ouvidos não sabia da visita, o que sugere divulgação local insuficiente, em sintonia com o que apoiadores também relataram em frente ao estaleiro. Outros declararam não simpatizar com o atual governo, alinhados ao perfil eleitoral da região, onde Santa Catarina foi um dos Estados de votação mais expressiva contra o presidente nas últimas eleições. E houve, ainda, quem visse na visita uma boa notícia para a cidade, ainda que não compartilhasse do projeto político do presidente.
A agenda do presidente em Itajaí seguiu o roteiro previsto, com lançamento da fragata Cunha Moreira (F202) no Thyssenkrupp Estaleiro Brasil Sul pela manhã e visita ao estaleiro Detroit Brasil à tarde, no foco da construção de embarcações de apoio offshore para a Petrobras dentro do Programa Mar Aberto. Depois do compromisso, Lula retorna a Brasília, encerrando a terceira visita do petista a Santa Catarina no atual mandato.






















