Sete candidatos a deputado em Santa Catarina receberam, juntos, R$ 240 mil do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), o chamado fundão eleitoral, e terminaram a eleição deste domingo (4) com apenas 362 votos somados. É o que mostra o cruzamento feito pelo Jornal Razão entre as receitas declaradas pelos candidatos à Justiça Eleitoral e o resultado oficial da apuração do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Dividido o dinheiro pelos votos, cada voto custou, em tese, R$ 663 aos cofres públicos. A conta é apenas uma comparação entre o valor recebido e o desempenho nas urnas e não indica compra de votos nem irregularidade.
Cinco dos sete disputaram uma vaga na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) e dois concorreram à Câmara dos Deputados. Nenhum foi eleito. Três terminaram como suplentes: Luciane Cooper, Volmar Bosquetti e Marinêz dos Idosos.

Quem são os sete candidatos
Rosinha Pelo Povo (Rosinha Nichelatti Machado), do PRD, candidata a deputada estadual, recebeu R$ 25 mil do fundão e fez 21 votos. É o voto mais caro da lista: R$ 1.190 cada, em tese.
Guilherme Duarte (Guilherme Santiago Duarte), do PRD, candidato a deputado estadual, recebeu R$ 25 mil e teve 30 votos, o equivalente a R$ 833 por voto.
Luciane Cooper (Luciane Gomes de Lima Cooper), do MDB, candidata a deputada estadual, recebeu R$ 40 mil e fez 60 votos, cerca de R$ 667 por voto.

Volmar Bosquetti (Volmar José Bosquetti), do Podemos, candidato a deputado federal, recebeu R$ 40 mil e teve 62 votos, cerca de R$ 645 por voto.
Cassi Bueno (Cassiana Bueno da Silva), do PRD, candidata a deputada estadual, recebeu R$ 10 mil e fez 17 votos, a menor votação entre os sete, o que dá R$ 588 por voto.
Marinêz dos Idosos (Marinez Casagrande), do MDB, candidata a deputada estadual, e Luizão de Chapecó (Luiz Henrique Bernardo da Silva), do Avante, candidato a deputado federal, receberam os maiores repasses da lista: R$ 50 mil cada. Os dois terminaram com 86 votos, cerca de R$ 581 por voto.

Como funciona o fundão
O fundo eleitoral é formado com dinheiro público e dividido entre os partidos por critérios definidos em lei, como o tamanho das bancadas no Congresso. Cabe a cada partido decidir quanto repassa a cada candidato. Pelas regras do TSE, as legendas precisam destinar às candidaturas de mulheres uma parcela do fundo proporcional ao número de candidatas, com mínimo de 30%.
Os valores desta reportagem são os declarados pelos candidatos à Justiça Eleitoral até 3 de outubro, véspera da eleição, nos dados abertos de prestação de contas do TSE. A prestação de contas final, que mostra quanto cada campanha efetivamente gastou, deve ser entregue até 3 de novembro.
Fundo partidário e outros casos
O levantamento também encontrou candidatos que receberam dinheiro do fundo partidário, outro fundo público repassado às legendas, e tiveram votação baixa. Glenda Boni, do Solidariedade, candidata a deputada federal, recebeu R$ 30 mil do fundo partidário e teve 58 votos, que aparecem como anulados sub judice porque o registro da candidatura dela ainda é discutido na Justiça Eleitoral.

A Engenheira Silvana Silvano, do mesmo partido e também candidata a deputada federal, recebeu R$ 46 mil do fundo partidário e fez 101 votos.
Nas redes sociais, circulou ainda a informação de que a candidata a deputada estadual Jana Medeiros, do Solidariedade, teria gastado R$ 30 mil do fundão e recebido apenas três votos. A apuração do TSE confirma os três votos, mas os dados de prestação de contas publicados até agora não registram nenhuma receita nem despesa em nome dela.
O espaço está aberto para manifestação dos candidatos e partidos citados.
Fonte: dados abertos de prestação de contas eleitorais do TSE.
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