Fundador do PT e do PSOL em Santa Catarina, o candidato ao Senado Afrânio Boppré defendeu, em entrevista ao Jornal Razão, a taxação das grandes fortunas e a intervenção do Estado como caminho para reduzir desigualdades. Na conversa, que percorreu temas da democracia à segurança pública, o político também foi questionado sobre o próprio patrimônio, de R$ 1,5 milhão conforme sua declaração, e negou ser milionário.
Democracia e trajetória
Boppré avaliou que a democracia brasileira ainda não se consolidou estruturalmente e citou as ameaças e tentativas de golpe registradas após as eleições de 2022 como evidência dessa fragilidade. Como resposta, defendeu a combinação da democracia representativa com mecanismos de participação direta, entre eles o orçamento participativo, que na visão do candidato aproxima governantes e governados e ajuda a combater a corrupção no uso de emendas parlamentares.
Sobre a trajetória partidária, o político explicou que, após 25 anos no PT, ajudou a fundar o PSOL por acreditar na necessidade de uma nova alternativa para a esquerda brasileira. Hoje, justifica o apoio ao presidente Lula como uma estratégia para unir o campo democrático contra a extrema-direita.
ASSISTA AO CORTE
Estado e distribuição de renda
Na economia, o candidato definiu o capitalismo como um estágio avançado de desenvolvimento que, no entanto, gera desigualdades e não representa, para ele, o estágio final da organização humana. A partir desse diagnóstico, sustentou que a redistribuição de renda depende da ação estatal.
“Não existe nenhum instrumento que se criou até agora para dividir a riqueza acumulada, para distribuir, para combater esse tipo de acumulação exacerbada, a não ser a mão do Estado. É o Estado que faz com que haja minimamente a correção das desigualdades”, afirmou.
Patrimônio declarado
Diante da defesa da socialização da riqueza, o candidato foi questionado se aceitaria compartilhar as próprias riquezas. A declaração de Boppré aponta R$ 1,5 milhão em patrimônio, entre dois apartamentos, terreno, veículo, aplicações financeiras, poupança e outros créditos.
“Eu não sou um homem rico. Eu tenho um pouco para conseguir a minha sobrevivência e da minha família. Eu não sou empresário, eu sou professor, eu sou assalariado”, respondeu. Segundo ele, o valor decorre da valorização de um imóvel. “Isso não é renda, eu não tenho riqueza. Não sou milionário. Não sou e não tenho como objetivo ser”, completou, acrescentando que um dos imóveis é o apartamento onde vive e o outro, a sala que usa como escritório pessoal.
Propostas para o Senado
Caso eleito, Boppré elencou como prioridade a Tarifa Zero no transporte coletivo, com gratuidade que poderia ser custeada por taxas sobre empresas com mais de 10 funcionários ou pela aplicação da PEC 25, que permite a cobrança pelo uso da malha viária. O candidato também defendeu a criação de políticas públicas nacionais para o bem-estar animal.
Na habitação, criticou o que classificou como falta de iniciativa municipal em Florianópolis e afirmou que políticas como o Minha Casa, Minha Vida dependem fundamentalmente de recursos federais.
Segurança pública
O candidato posicionou-se contra a redução da maioridade penal e a pena de morte, defendendo a ressocialização como caminho para o sistema prisional. Sobre drogas, manifestou-se favorável à ciência e à descriminalização da maconha, especialmente para uso terapêutico, mas disse ser contra a liberação de drogas pesadas.
Boppré também criticou a gestão do governador Jorginho Mello (PL), apontando falta de diálogo com o governo federal e o que chamou de “individualização da segurança”, por meio do estímulo a clubes de tiro e ao armamento da população. Para o candidato, a segurança deve ser uma política pública estruturada pelo Estado, e não resolvida individualmente.
Por fim, destacou o aumento do feminicídio em Santa Catarina como um problema cultural profundo, que exigiria políticas de acolhimento e proteção mais eficazes, e não apenas ações simbólicas.
Leia também: Pena de morte para estuprador e arma para mulheres: candidato ao Senado por SC é contra
Leia também: Socialista do PSOL defende conselheiro da JBS como candidato de Lula ao Governo de SC


























