Começou com um veleiro de 29 pés construído dentro de casa. Terminou como o maior estaleiro de iates do Brasil, com quase quatro mil barcos espalhados por vinte países e um nome que hoje disputa espaço nos salões náuticos de Cannes, Fort Lauderdale e Palm Beach. Entre esses dois pontos está a trajetória de Raquel Ribeiro Szpoganicz Schaefer, uma das fundadoras da Schaefer Yachts, que morreu em Florianópolis.
A morte foi confirmada pela família. Jornalista de formação, Raquel enfrentava problemas de saúde e estava internada na UTI do Hospital Baía Sul. A causa não foi detalhada oficialmente pela empresa. Até o momento, não havia informação sobre velório ou cerimônia de despedida.
Em nota de pesar, a Schaefer Yachts a chamou de fundadora e afirmou que ela foi parte essencial da história da marca. Ao lado de Márcio Luz Schaefer, segundo o estaleiro, Raquel ajudou a construir uma das maiores referências da indústria náutica. Ela não figurava apenas como esposa do fundador: participou da criação da empresa há 35 anos, esteve por décadas à frente da administração do estaleiro e teve papel na estrutura organizacional e estratégica da companhia.

De um veleiro de quintal
A história da Schaefer começou pequena, em 1992, em Palhoça. O ponto de partida foi aquele veleiro artesanal de 29 pés. Naquele ano, Márcio comprou a parte de um sócio em um pequeno estaleiro, e foi dali que a marca cresceu, ampliou modelos e passou a atender clientes no Brasil e no exterior. A linha Phantom se tornou um dos nomes tradicionais da casa.
Três décadas depois, a dimensão é outra. A companhia se apresenta hoje como o maior estaleiro de iates do país, com mais de 700 empregos diretos e quase quatro mil embarcações entregues no mundo, em modelos que vão de 30 a 86 pés. A produção é dividida em três unidades catarinenses: Biguaçu concentra o desenvolvimento de novos produtos e os cascos maiores, Palhoça responde pela montagem das embarcações menores, e Florianópolis fica com a montagem final, os testes de mar e a entrega ao cliente.
O diferencial industrial ajuda a explicar o tamanho. A empresa trabalha com infusão a vácuo, CNC de cinco eixos, marcenaria e estofaria próprias e produção verticalizada, processo que, segundo a própria marca, a coloca em posição de liderança na fabricação de barcos de lazer na América do Sul.

Do quintal ao mundo
O alcance passou das fronteiras do Brasil. A Schaefer marca presença em salões internacionais e, em 2025, estreou no Cannes Yachting Festival, na França, somando mais de quatro mil embarcações entregues e presença em vinte países. Em 2024, o estaleiro recebeu a certificação de Empresa Estratégica de Defesa, ligada ao Ministério da Defesa, para embarcações blindadas de 30 a 83 pés.
É esse patrimônio industrial e simbólico que Raquel Schaefer ajudou a levantar, do quintal de casa ao mercado mundial. A empresa lamentou a perda em nota, e a despedida da empresária que ajudou a colocar Santa Catarina no mapa global dos iates ainda não teve cerimônia divulgada.






















