O nível da Barragem Norte subiu o suficiente para bloquear a principal via de acesso às comunidades indígenas de José Boiteux, no Alto Vale do Itajaí. Nesta quarta-feira (1º), às 8h, a FUNAI comunicou oficialmente à Defesa Civil de Santa Catarina que a estrada está bloqueada pela cheia do reservatório, com registro fotográfico georreferenciado comprovando a interrupção.
O comunicado dispara uma contagem regressiva: pelo protocolo do estado, o Plano de Contingência para atendimento às aldeias só é acionado quando dois critérios são atendidos ao mesmo tempo. O reservatório precisa atingir a cota de 15 metros, que é o nível em que a via de acesso fica submersa, e essa interrupção precisa se manter por, no mínimo, 48 horas seguidas.
A contagem que corre
Como o bloqueio foi oficializado na manhã desta quarta, a confirmação das 48 horas ocorrerá na manhã de sexta-feira (3). Se até lá o acesso continuar interrompido, o plano é ativado automaticamente e a Defesa Civil de Santa Catarina inicia a entrega de 1.078 cestas básicas, número calculado a partir do total de famílias indígenas cadastradas na região.
O critério é objetivo justamente para evitar interpretação: se o reservatório baixar antes de completar as 48 horas e a via for restabelecida, o plano de contingência não será acionado, mesmo com o susto já dado. A régua vale para os dois lados.
17,8 metros, 8% da capacidade
Na última medição, o nível do reservatório estava em 17,8 metros, o que corresponde a aproximadamente 8% da capacidade total da Barragem de José Boiteux. Ou seja, o reservatório está bem abaixo do seu limite operacional, mas já acima da cota que isola as aldeias, o que dá a dimensão exata do problema: não é uma barragem no limite, é uma via de acesso vulnerável.
A Barragem Norte, oficialmente Barragem José Boiteux, é uma estrutura de contenção de cheias construída para proteger o Vale do Itajaí das enchentes do Rio Itajaí do Norte. É justamente esse enchimento controlado, feito para segurar água antes que ela desça em massa para as cidades a jusante, que acaba isolando temporariamente as comunidades indígenas que vivem na área do reservatório.
A Defesa Civil de Santa Catarina informou que segue acompanhando de perto a situação em José Boiteux e monitorando permanentemente a evolução do nível do reservatório para adotar, se necessário, as medidas previstas no plano de contingência.





















