O caso que chocou o Alto Vale do Itajaí ganhou contornos ainda mais revoltantes. O Ministério Público de Santa Catarina denunciou formalmente uma professora e uma auxiliar de educação infantil de Rio do Campo por mais de 50 agressões brutais contra crianças de apenas 2 e 3 anos, dentro do Centro Educacional Infantil Fritz Faller.
As cenas captadas pelas câmeras de segurança são descritas como “inumanas”. Em pouco mais de um mês de análise, foram identificados 52 crimes de maus-tratos, com tapas, puxões de orelha, empurrões e até arremessos de crianças contra o chão. Tudo acontecia dentro da sala de aula, sob o pretexto de “educar”.
“Eu vi meu filho ser arrastado pela orelha”
Um dos pais, profundamente abalado, relatou ao Jornal Razão o horror das imagens a que teve acesso:
“O meu filho chegou em casa com a orelha descolada. Nas filmagens, dá pra ver o momento em que ela puxa ele pela orelha de um lado da sala até o outro. Elas derrubavam as crianças do colchão, davam tapas na cabeça, nas costas. Eram coisas terríveis, não era brincadeira, não era ‘puxãozinho’. Foram semanas sem dormir, eu acordava à noite com aquelas cenas na cabeça”, contou o pai.
O homem afirma que o menino foi uma das principais vítimas da dupla e que as agressões ocorreram diariamente, por cerca de quatro meses. “Meu filho era um dos mais afetados. A gente fica um pouco mais tranquilo agora, porque o processo está andando, mas não há como esquecer o que fizeram com ele”, desabafou.
Pedido de afastamento acolhido pela Justiça
A denúncia apresentada pelo promotor Felipe Lambert de Faria foi aceita pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarinanesta sexta-feira (17). O Ministério Público pede a condenação das acusadas por maus-tratos e o pagamento de indenização de R$ 10 mil para cada criança agredida, além de R$ 200 mil por danos morais coletivos.
“O que aconteceu ali abalou a confiança de toda uma comunidade”, destacou o promotor, ao afirmar que as condutas são “gravíssimas e incompatíveis com o magistério público”. As duas servidoras foram afastadas por decisão judicial e o caso segue sob sigilo.
“Foram 52 crimes. Cada agressão é um crime”
O pai das crianças reforça a gravidade: “Não são dois ou três episódios. São 52 crimes, um por agressão. Cem vídeos mostrando tapas, beliscões, empurrões, violência contra crianças indefesas. Isso não pode acontecer mais, em lugar nenhum. A gente quer justiça, nada mais.”
A denúncia foi protocolada no Dia do Professor, 15 de outubro, e recebida pela Justiça dois dias depois. O Ministério Público convocou os pais para um encontro na Promotoria de Rio do Campo, a fim de prestar esclarecimentos e oferecer apoio às famílias.
“Educar é proteger, não ferir”
Em nota, o MPSC afirmou que “educar exige empatia, zelo e humanidade” e que “busca assegurar que a infância seja respeitada e que fatos dessa natureza jamais se repitam”.
A pequena cidade de Rio do Campo ainda tenta entender como a violência pôde se esconder por tanto tempo atrás das paredes de uma creche. Para os pais, a espera agora é por justiça e reparação, em nome das 52 pequenas vítimas que tiveram a inocência ferida dentro do lugar onde deveriam estar seguras.























