Exatamente dez anos após um crime que chocou o Oeste catarinense, a Justiça deu um desfecho ao caso com a condenação do mandante e de dois executores pelo assassinato de um empresário em 2016. O julgamento, realizado no Tribunal do Júri em Pinhalzinho, durou cerca de 40 horas e terminou na madrugada deste sábado (30), com a prisão imediata dos condenados.
Segundo o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), o crime foi planejado pelo próprio sogro da vítima, que também era seu sócio em uma empresa de produção e distribuição de grama. A motivação teria surgido após desentendimentos relacionados aos negócios da família. Conforme a acusação, o sogro prometeu entre R$ 50 mil e R$ 70 mil para que dois homens executassem o genro.
Durante o julgamento, os jurados reconheceram a participação individual de cada acusado. O sogro foi condenado por homicídio duplamente qualificado e recebeu pena de 16 anos de prisão. Um dos executores foi sentenciado a 14 anos de reclusão. Já o outro executor recebeu pena de 15 anos de prisão, além do pagamento de multa. Um quarto réu foi absolvido da acusação de homicídio, mas condenado por ocultação de cadáver, recebendo pena de um ano em regime aberto.
A acusação foi conduzida pelo promotor de Justiça Edisson de Melo Menezes, integrante do Grupo de Atuação Especial do Tribunal do Júri (GEJÚRI). Como a decisão foi proferida pelo Tribunal do Júri, os condenados tiveram a prisão determinada imediatamente e não poderão recorrer em liberdade.
Emboscada
De acordo com as investigações, o empresário foi atraído para uma emboscada na noite de 30 de maio de 2016 após receber uma ligação sobre um suposto pedido urgente de orçamento para um gramado em uma subestação de energia. Ao chegar ao local combinado, foi surpreendido e morto com golpes contundentes na cabeça.
O carro da vítima foi encontrado pela família no dia seguinte. Já o corpo só foi localizado cerca de 20 dias depois, às margens da SC-160, entre Saltinho e Campo Erê, com mãos e pernas amarradas e em avançado estado de decomposição.
Durante o júri, testemunhas, policiais e familiares prestaram depoimentos. Um dos relatos considerados importantes foi o de uma testemunha protegida, que afirmou ter sido procurada por um dos acusados para participar do plano criminoso, mas recusou o convite.
Para o Ministério Público, as provas reunidas ao longo da investigação, incluindo registros telefônicos, depoimentos e dados de localização, demonstraram de forma consistente a participação dos envolvidos no assassinato. Com a decisão dos jurados, um dos casos mais emblemáticos da região chega a um desfecho judicial uma década após o crime.
























