O assassinato da adolescente Ana Beatriz Schelter, de apenas 12 anos, ocorrido em 2 de março de 2016, em Rio do Sul, no Vale do Itajaí, teve o primeiro desfecho na Justiça dez anos após o crime.
Após uma longa sessão que teve inicio na manhã de terça-feira (12) e se estendeu até a madrugada desta quarta-feira (13), por cerca de 16 horas, o Tribunal do Júri acolheu integralmente a acusação do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) e condenou o principal réu pelos crimes praticados contra a adolescente.
Mário Pfleger, de 58 anos, foi sentenciado a 58 anos e nove meses de prisão em regime fechado, além de 9 meses e 26 dias em regime semiaberto.
O julgamento de um dos três réus ocorreu em Florianópolis e marcou o primeiro resultado do processo que ainda terá outros dois julgamentos relacionados ao caso.

Mário foi apontado pelo Ministério Público de Santa Catarina como o principal responsável pelos crimes de estupro de vulnerável, homicídio qualificado e fraude processual.
A decisão foi proferida pelo Tribunal do Júri da Capital, após o processo ser transferido de Rio do Sul. O réu, que já está preso no Presídio Regional da cidade, não poderá recorrer em liberdade.
Segundo a acusação, os jurados reconheceram um conjunto sólido de provas técnicas que apontam a participação do réu no crime, sustentadas pela atuação dos promotores Lanna Gabriela Bruning Simoni e Jonnathan Augustus Kuhnen.
O crime que chocou o Estado
Ana Beatriz tinha apenas 12 anos quando saiu de casa, por volta das 13h do dia 2 de março de 2016, para ir à escola. Ela nunca chegou ao destino.
O corpo foi encontrado na manhã seguinte dentro de um contêiner às margens da BR-470, em Rio do Sul. A perícia confirmou que a cena foi forjada para simular suicídio, hipótese descartada ainda no início das investigações.
Os laudos apontaram que a adolescente foi vítima de violência sexual e morta por asfixia.

Julgamento e provas
Durante o júri, foram ouvidas testemunhas, incluindo um policial militar que atuou na investigação e confirmou o conjunto de provas técnicas que levou à identificação do réu como principal autor.
Também prestaram depoimento um representante da empresa onde o contêiner foi encontrado e uma ex-esposa do acusado.
O Ministério Público destacou que o réu conhecia a vítima e sua família, monitorava sua rotina e teria usado essa proximidade para planejar o crime. A acusação também aponta que ele e outros envolvidos tinham histórico associado à exploração sexual de menores.
Dor e espera por justiça
Familiares de Ana Beatriz acompanharam todo o julgamento em Florianópolis, usando camisetas com a imagem da adolescente e pedindo justiça.
“São dez anos de espera”, destacou a promotoria durante o julgamento, ao reforçar a brutalidade do crime e a importância da responsabilização dos envolvidos.
O pai da menina, ao final da sessão, agradeceu a atuação do Ministério Público e afirmou que, após anos de dor, a família finalmente sentiu que a justiça começou a ser feita.
Próximos julgamentos
Os outros dois réus ainda serão julgados pelo Tribunal do Júri da Capital em sessão marcada para junho de 2026.
























