Enquanto o padrasto desferia marteladas nos dedos dos pés dela, a própria mãe a segurava para que não escapasse. A cena de tortura contra uma jovem com deficiência, de quase 30 anos, foi reconstruída pela Justiça e terminou com a condenação do casal em uma comarca do Sul de Santa Catarina.
A mãe foi condenada a sete anos, 10 meses e três dias de reclusão pelos crimes de tortura, maus-tratos e abandono de pessoa com deficiência. O padrasto pegou sete anos, três meses e três dias por tortura e maus-tratos. Os dois começam a cumprir as penas em regime inicial fechado.
Segundo a denúncia, as agressões aconteceram em maio de 2023. Além das marteladas, a vítima foi submetida a tapas, socos, empurrões e apertões, num quadro de intenso sofrimento físico e mental imposto por quem deveria protegê-la.
Depois das agressões, a jovem procurou atendimento em uma unidade de saúde e relatou o que vinha sofrendo. A partir dali, o caso passou a ser acompanhado pela Secretaria de Saúde, pelo Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) e pela Polícia Militar.
Desnutrida e desidratada
O que os profissionais encontraram ia além das lesões e dos hematomas visíveis. A vítima chegou ao hospital em situação de desnutrição e desidratação, um sinal de que, muito antes daquele episódio, já vinha sendo privada de alimentação regular e dos cuidados que sua condição exigia.
Depois de deixar a filha no hospital, a mãe simplesmente foi embora. A jovem permaneceu sozinha na instituição por uma semana, até receber alta e ser encaminhada para acolhimento institucional, longe de casa.
Indenização e recurso
Além da prisão, mãe e padrasto foram condenados a pagar R$ 20 mil de indenização por danos morais à vítima, valor que ainda será corrigido com juros e correção monetária. A decisão não é definitiva: cabe recurso ao Tribunal de Justiça de Santa Catarina. O processo tramita em segredo de justiça.
























