Um áudio gravado pela mãe da criança que foi ferida com uma faca dentro de uma escola particular de Porto Belo, no Litoral Norte de Santa Catarina, vem chamando atenção pelo tom calmo. Mesmo depois de a filha ter sido trancada em um banheiro, ameaçada de morte e atingida por uma colega, a mulher aparece na gravação dizendo às outras famílias que está tudo bem.
Relembrando o caso, uma aluna teria convidado a colega para entrar no banheiro feminino, trancado a porta e encostado uma faca no pescoço dela, afirmando que queria ser presa para não voltar para casa. A vítima chegou a ser ferida e teve uma lesão superficial. A criança que cometeu o ato foi encaminhada ao Conselho Tutelar e à Promotoria de Justiça de Itapema, e, por se tratar de menor, não responde criminalmente. Relembre o caso aqui.
Na gravação que passou a circular nos grupos de mensagens, a mãe da criança ferida se dirige a outras famílias para tranquilizá-las. Depois de se apresentar, ela afirma: “[…] está bem, está tudo certo, não aconteceu mais nada com ninguém lá na escola, não precisam se preocupar.”
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A mulher trata o ferimento da própria filha como algo pequeno e fala em resolver as questões legais: “foi um cortezinho pequeno, estamos ainda resolvendo os trâmites legais das coisas e tal.” Em seguida, elogia a instituição: “a escola foi super parceira, eles ajudaram um monte em todos os momentos e continuam ajudando.” E encerra: “eu só vim mesmo pra dizer que está tudo bem, então podem ficar despreocupados, que todas as outras crianças estão super tranquilas, super bem.”
Reação dividida
O tom sereno da mãe dividiu quem acompanhou o caso. Para uma parte do público, a postura demonstraria autocontrole e maturidade diante de uma situação extrema. Para outra, a tranquilidade soou estranha, justamente por se tratar da mãe da criança que foi ameaçada de morte e ferida, levantando a suspeita de que o episódio estaria sendo apresentado como menos grave do que foi.
A escola, o COC Porto Belo, também se manifestou por meio de um comunicado às famílias. No texto, a instituição afirma que a situação foi prontamente identificada e controlada pela equipe escolar e que acionou imediatamente os órgãos competentes. A direção diz ainda que muitas das informações divulgadas não correspondem à realidade dos fatos e que não pactua com a divulgação sensacionalista de conteúdos, especialmente envolvendo crianças e adolescentes.
Próximos passos
Paralelamente, um grupo de pais de alunos entrou na Justiça contra a escola, cobrando um plano formal de segurança, o reforço no controle das entradas da frente e dos fundos e a comunicação ao Conselho Tutelar de Porto Belo e ao Ministério Público de Santa Catarina.
Até a última atualização, o caso seguia em tramitação. As identidades das crianças envolvidas são preservadas pelo Jornal Razão.























