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“Jamais vou parar”, diz pai após júri absolver dois acusados de estuprar e assassinar Ana Beatriz em SC

Em outro julgamento ligado ao caso, em maio deste ano, o principal réu Mário Pfleger, de 58 anos, foi condenado a mais de 58 anos de prisão. Foto: Reprodução Redes Sociais / MPSC

“Jamais vou parar”, diz pai após júri absolver dois acusados de estuprar e assassinar Ana Beatriz em SC
Foto: Reprodução
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Identificada como Ana Beatriz Schelter, uma menina vítima de abuso sexual e assassinato em Rio do Sul, no Alto Vale do Itajaí (SC), virou bandeira de uma luta que o próprio pai jura que não vai abandonar. Foram quase 14 horas dentro do Tribunal do Júri, das 8h até às 22h e o resultado não foi o que a família esperava. Mesmo assim, ao deixar o fórum, Ismael Schelter repetiu uma frase que resume a noite: “jamais vou desistir”.

O julgamento aconteceu em Florianópolis e encerrou mais um capítulo de um processo que se arrasta há 10 anos. A sessão terminou sem o desfecho que os pais de Ana Beatriz aguardavam. Diante das câmeras, ainda no calor da decisão, Ismael fez questão de deixar claro que a derrota desta noite não muda o rumo da família. A entrevista foi comandada pelo advogado criminalista, Rogerio Nunes Souza, que acompanhou a sessão de perto.

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“De maneira nenhuma, jamais. Não vou parar por coisas assim”, afirmou o pai. “Vou continuar lutando, e jamais vou parar de lutar pela memória da minha filha e pelas outras crianças”, destacou o pai.

Ao lado dele estavam a mãe, Cláudia, e a equipe que acompanhou o caso da acusação. Visivelmente abalado, mas firme, Ismael transformou o desabafo em convocação.

“Santa Catarina e Brasil, nós não podemos desistir. Recuar, jamais. Vamos lutar contra a pedofilia, vamos lutar contra o abuso infantil. Na cidade de Rio do Sul, perdemos, é normal, e jamais vou desistir. Pela memória da minha filha”, completou o pai.

O que a acusação conseguiu

Apesar do revés desta sessão, a acusação avalia que o caso já registrou uma vitória decisiva. A advogada Giliani Coelho explicou que se tratava de um processo especialmente complexo, justamente pelo tempo que tramitava na Justiça.

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“Nós tínhamos um processo bem difícil, já que tramitava há muitos anos, 10 anos”, disse Giliani. “Esse deslinde da investigação acaba enfrentando também muitos desafios na produção da prova, mas o nosso objetivo maior, que era a condenação do principal acusado, nós conseguimos.”

Em outro julgamento ligado ao caso, em maio deste ano, o principal réu Mário Pfleger, de 58 anos, foi condenado a mais de 58 anos de prisão. Foi a esse resultado que a acusação se agarrou para sustentar que, mesmo com a frustração desta noite, a família não saiu de mãos vazias.

“Em que pese hoje estarmos insatisfeitos, nós conseguimos já um grande resultado no outro julgamento”, reforçou a advogada.

“Não saímos derrotados”

A leitura de quem acompanhou a defesa da memória de Ana Beatriz foi de que o saldo geral é positivo, mesmo com a dor do dia. O doutor Osiel destacou a postura dos pais diante do resultado e o peso da condenação já obtida.

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“Temos um réu com 58 anos de condenação. Com toda certeza, isso traz um mínimo de afago à família”, afirmou. Ele ressaltou ainda a firmeza demonstrada pelos pais. “É importante ver em que pese essa decisão não esperada pela família hoje, mas a própria postura do Ismael diante desse revés, se mantendo firme, até mesmo em memória da própria filha.”

O caso de Ana Beatriz, segundo os envolvidos, deve servir de exemplo para que outras crianças não sejam submetidas à mesma violência.

“Nunca devemos nos calar, devemos sempre denunciar, porque como Ana Beatriz, que foi vítima de abuso sexual e assassinato, centenas e milhares de crianças são todos os anos no Brasil”, pontuaram.

O caso segue acompanhado pela acusação, que promete dar continuidade às próximas etapas em memória da menina.

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