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Ele pergunta seu nome, te dá uma amostra e só depois fala em preço: a venda de rua que virou aula em SC

O vendedor oferece amostra grátis, cobra R$ 10 pelo copo e libera o pagamento por Pix para depois. Segundo ele, o dinheiro das vendas nos cruzamentos de Blumenau vai financiar a compra de um sítio ao lado da esposa.

Ele pergunta seu nome, te dá uma amostra e só depois fala em preço: a venda de rua que virou aula em SC
Foto: Reprodução
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O motorista parou no sinal vermelho, em Blumenau, e viu um rapaz de luvas pretas se aproximar com um copo quentinho já na mão. Antes de qualquer preço, veio a pergunta: como o senhor se chama. Depois o aperto de mão, a apresentação e a amostra estendida pela janela. Só no fim, quase de passagem, apareceu o valor. E com ele uma condição que praticamente ninguém espera de uma venda de semáforo.

O vendedor trabalha nos cruzamentos de Blumenau, no Vale do Itajaí, oferecendo cappuccino italiano e paçoca. A cena chama atenção antes mesmo do produto: roupa alinhada, luvas de procedimento, garrafa térmica e uma caixa de madeira apoiada no chão fazendo as vezes de balcão.

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A amostra vem antes

A abordagem é sempre a mesma e começa pelo nome do cliente. “Bom dia, meu amigo, tudo bom? Como é que o senhor se chama?”, ele pergunta, antes de se apresentar e estender a mão. Só então explica o que está vendendo, e já com o copo de degustação na mão do motorista.

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O produto é descrito em detalhe, ingrediente por ingrediente. “Ele é feito com café de torra leve 100% puro, cacau, canela e açúcar demerara. Batido tudo pra ficar bem cremoso”, diz. O copo sai por R$ 10.

Pix depois, em casa

O que separa a venda de qualquer outra no semáforo vem na sequência. Se o sinal abre, se o motorista não tem o dinheiro na mão ou se simplesmente está com pressa, o café vai junto assim mesmo. “Se quiser pode levar e fazer o Pix depois em casa com calma”, ele oferece, indicando o QR Code e o número de telefone como alternativa de pagamento.

É a inversão do jogo: o produto é entregue antes de o dinheiro entrar. Nos comentários das publicações, foi justamente esse ponto que os seguidores destacaram. “Maior quebra de objeção é só degustação”, escreveu um. “Pagava 10 sorrindo, aqui cobram um café passado padrão por 8”, comparou outro.

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O sítio no meio do mato

O motivo do trabalho ele entrega logo na primeira frase da abordagem, sem rodeio.

Eu vim me aposentar com o objetivo de comprar um sítio, morar lá no meio do mato.

O plano, segundo ele, é dividido com a esposa, e cada copo vendido no cruzamento é um passo nessa direção. Questionado publicamente por um seguidor se vive apenas das vendas no semáforo, respondeu que tem outras fontes de renda, “mas essa é a principal (ainda)”. O parêntese diz mais sobre o projeto do que qualquer número.

Dinheiro e sono

Ele também produz conteúdo voltado a saúde e desempenho físico, mental e espiritual, e explicou por que passou a falar de venda de rua para esse mesmo público. Segundo ele, a conta não fecha separada. “Eu entendi que a molecada agora de 20 e poucos anos, até 30, que me acompanha, o fator financeiro também impacta na tua saúde.”

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A tese que ele defende é direta e mede tudo pela noite de sono.

O teu sono, quando tem uns mil ali na conta guardado, o teu sono é outro. A tua mente é outra. Quando você começa a criar patrimônio, irmão, a tua cabeça fica diferente.

O contraponto vem no mesmo fôlego, e é onde ele aperta. “Agora, cara, tenta dormir devendo uma dívida alta. Devendo uma dívida alta que você ainda gastou em passivo e não em ativo.”

A repercussão trouxe elogios de comerciantes e vendedores que se reconheceram na cena, e também quem discordasse do caminho. “Uma hora você tem que largar as ruas e sair das ruas. Ciclos se encerram”, escreveu um seguidor. Por enquanto, o roteiro segue igual: sinal vermelho, café quente, o nome do cliente, a amostra na mão, e o sítio ainda por comprar.

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