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“Paro ou continuo”: psicólogo questiona placa que termina e recomeça ciclovia no mesmo ponto em SC

Em vídeo que viralizou nas redes, o psicólogo Michael Lochner mostra uma placa de "Término Ciclovia" e, poucos metros à frente, outra de "Início Ciclovia", e pergunta o que o ciclista deve fazer no intervalo.

“Paro ou continuo”: psicólogo questiona placa que termina e recomeça ciclovia no mesmo ponto em SC
Foto: Reprodução
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A placa diz “Término Ciclovia”. Poucos metros à frente, outra placa anuncia “Início Ciclovia”. No meio, um trecho curto de pista, mato alto e nenhuma orientação sobre o que o ciclista deve fazer naquele intervalo. A cena, registrada às margens de uma rodovia em Rio dos Cedros, no Vale Europeu catarinense, virou debate nas redes sociais depois que o psicólogo e gestor de RH Michael Lochner publicou um vídeo questionando a sinalização.

Lochner, que pedala como hobby nas horas vagas, parou a bicicleta exatamente no ponto em que a primeira placa marca o fim do trecho protegido. Em frente a ele, do outro lado de um pedaço de asfalto comum, está a placa que reabre a ciclovia. Entre uma e outra, o ciclista fica sem saber qual é a regra.

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“Gente, eu tô aqui em Rio dos Cedros, uma placa término da ciclovia. Olhando aqui pra frente, início da ciclovia. O que eu deveria fazer? Posso andar daqui nesse pedacinho? Tem que empurrar a bicicleta?”, diz o psicólogo no vídeo.

Piada coletiva nos comentários

A dúvida abriu uma enxurrada de respostas bem-humoradas e cheias de catarinensismos. “Aqui é Brasil, pois só termina quando acaba”, brincou um seguidor. Outro sugeriu que o ciclista deveria pegar um caminho alternativo só pra chegar ao “início” da ciclovia seguinte. Houve quem dissesse que era uma “parada de descanso”, quem apostasse em “passagem de capivara” e até quem respondesse em alemão, fazendo referência à colonização da região: “Das gibt es auch in Pomerode. Fahr nicht so weit mit dem Fahrrad” (numa tradução livre, “Isso também tem em Pomerode. Não vá tão longe de bicicleta”).

O que diz a sinalização

A pergunta, no fundo, é técnica. A placa redonda com borda vermelha e bicicleta no centro é um sinal de regulamentação do Código de Trânsito Brasileiro que proíbe a circulação de bicicletas. Quando vem acompanhada da inscrição “Término Ciclovia”, indica que a partir daquele ponto o ciclista deixa de ter um espaço exclusivo e precisa dividir a via com os veículos motorizados, respeitando as regras de trânsito comuns. Já a placa de “Início Ciclovia” anuncia a retomada do trecho protegido. O problema é quando as duas aparecem a poucos metros de distância, sem qualquer indicação clara do que fazer no intervalo.

Engenheiros de tráfego ouvidos em casos semelhantes costumam apontar que, em situações assim, o ciclista pode seguir pela pista entre as duas placas, desde que respeite a sinalização e a preferência dos demais veículos. Em alguns municípios, o desenho é uma escolha técnica para evitar conflito com pontos de ônibus, acessos a propriedades ou trechos onde a calçada é estreita demais para comportar a ciclofaixa. Em outros, é apenas falha de planejamento.

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Problema se repete no Vale Europeu

O caso de Rio dos Cedros não é isolado. Comentários no vídeo mostram que situações parecidas existem em cidades vizinhas do Vale Europeu, como Pomerode e Timbó, onde a malha cicloviária cresceu nos últimos anos junto com o turismo de bicicleta, mas ainda esbarra em problemas de continuidade. A região é famosa entre ciclistas pelas estradas de chão, pelas paisagens de mata atlântica e pelas rotas que ligam pequenas comunidades de colonização italiana, alemã e polonesa.

Lochner disse nos comentários que pretende voltar ao local para filmar como outros ciclistas se comportam ao chegar no trecho. Até a publicação desta reportagem, a Prefeitura de Rio dos Cedros não havia se manifestado sobre a sinalização. O vídeo segue circulando nas redes e somando comentários de moradores e ciclistas de toda Santa Catarina, transformando uma dúvida prática em piada coletiva sobre a lógica das placas brasileiras.

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